O motorista que se dirige ao Centro para passear ou fazer compras neste mês de dezembro precisa ter paciência e dinheiro no bolso. Encontrar um lugar para parar o carro é tarefa quase impossível. As ruas estão sempre lotadas. A alternativa é procurar um estacionamento particular. Neste caso, é bom estar preparado para não se assustar na hora de pagar a conta. Para obter lucro extra com o movimento de Natal, a maioria dos estabelecimentos dobrou seus preços. Há garagem que está cobrando R$ 5. Até o mês passado, o valor médio era R$ 2. Não há lei que regulamente o serviço e os consumidores não têm a quem recorrer. A alternativa é rodar e procurar um lugar menos caro.
De acordo com dados do Setor de Tributação da Prefeitura, há cem estacionamentos de guarda de veículos cadastrados em Franca. O preço para estacionar na área central oscila de um ponto para outro dependendo do espaço disponível e da localização. Nestes dias que antecedem o Natal, o valor mais comum é R$ 4, o que significa 100% de majoração em relação ao que vinha sendo praticado. Na Rua Monsenhor Rosa, coração da cidade, o motorista tem de desembolsar R$ 5 por hora.
O ex-jogador e atual treinador do time de basquete de Bauru, Jorge Guerra, veio a Franca visitar familiares ontem e parou no Centro ontem. Ficou assustado. “Infelizmente, o brasileiro tem este espírito de oportunismo. As pessoas aproveitam e cobram um preço fora da realidade. Falta educação e conscientização.”
O açougueiro Sandro Mendes veio de Itirapuã com a mulher e a filha fazer compras em Franca. Na hora de pagar o estacionamento, se revoltou ao saber que a conta ficou em R$ 5. “É uma exploração. Não fiquei nem uma hora estacionado. O problema é que a propaganda é pequena e a gente só fica sabendo do preço da hora de pagar.” Wilcilene Rodrigues da Silva, administrador do estacionamento, disse que o preço é justo. “Não considero o valor abusivo. Só alteramos agora depois de cinco anos. Nossa localização é muito prestigiada, pois tem acesso para tudo.”
Em abril, a Câmara aprovou um projeto de autoria do vereador Silas Cuba (PT) que estabelecia a cobrança por tempo fracionado nos estacionamentos de veículo. A proposta previa que os donos colocassem, obrigatoriamente, um relógio visível ao consumidor e informação sobre valores devidos por permanência em cada fração de 15 minutos até uma hora. A Prefeitura conseguiu uma liminar na Justiça e derrubou a lei.
José Antônio Guimarães, chefe do Procon, disse que não há mecanismo para regular os valores, mas que os estacionamentos são obrigados a colocar preços visíveis do lado de fora para orientar os clientes. “A orientação é para o motorista pesquisar. A concorrência forçará a queda do preço.”
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