De quem é a culpa?


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O negócio já começa mal devido ao sexo fácil. Tudo numa boa! Em qualquer lugar. Para parecer moderno, ninguém tem coragem de ir contra a vontade dos mais jovens. Coitados! São tão inocentes... Fazem as coisas sem pensar direito nas consequências. Com o tempo, eles se ajustam. De mais a mais, quem é que não gosta de qualquer tipo de liberdade?

Com isso, a noção de família se tornou uma instituição vaga demais. Um rapaz namora uma garota. Dentro em pouco, ela engravida. Depois, vem outra filho. Mais outro. Com três crianças para criar, o casal percebe a falta de sintonia. Cada um vai para o seu lado. Ou melhor, para o lado de outras pessoas. De novo, mais filhos...

Criar não é problema, mesmo que os avós também não vivam juntos. Isso não tem importância alguma. Sobra a casa da avó. Ou do avô. Dá na mesma. Total modernidade. Em cada lar, a meninada faz o que quer. Fala com todo mundo pelo celular. Fica na rua. Não vai para a escola. Vida boa!

A escola também faz parte dos novos tempos. Inclusão absoluta. Aluno entra na 1ª série (já não é mais 1ª, para se adequar à contemporaneidade da pedagogia voltada ao resgate social, os estudos agora se iniciam aos 6 anos de idade, com o 1º ano do ensino fundamental) e chega à oitava (9º). Nada o retém em ano algum. Não precisa saber ler ou escrever.

Disciplina na escola para quê? Se o aluno não fica quieto na sala de aula, é por falta de tato do professor. Não adianta chamar o pai ou a mãe. A explicação fica por conta de que o filho é deste jeito mesmo, puxou a um dos pais. Tem sangue quente. O educador está com discriminação. Pode até ser arrolado em boletim de ocorrência policial.

A legislação educacional faz com que a escola vá atrás de quem desistiu de estudar. A responsabilidade por faltas não é mais da família.

Se uma garota de 13 anos, prestes a terminar o ensino fundamental, deixa de ir às aulas porque está namorando, cabe ao professor descobrir isso. Mais ainda. Deve oferecer livros para que algumas páginas sejam copiadas, como compensação de ausências, com direito a passar de ano.

Sem orientação ou coerção familiar, com o tudo pode da educação escolar e ainda contando com a falta de punição judicial, o jovem entra para o mundo das drogas. Para se manter sem trabalhar, comete outros crimes. Avisar a polícia não resolve nada. Nem mesmo o flagrante de ato ilícito anda levando gente para a cadeia.

O que esperar então da aplicação da lei para quem, sendo maior, leva uma garota de 13 anos para morar na mesma casa? Posteriormente, inconformado com a rejeição da menor, passa a agredi-la fisicamente. Até o pai dela sofreu agressões. Nem diante das ameaças de morte, a polícia conseguiu tomar uma atitude. Ah! Sim. O pai em breve vai ser ouvido para as formalidades legais sobre as três mortes.

Antônio Araújo
Articulista e professor - tonin.palavras@uol.com.br

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