O famoso Aedes Aegypti


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Parece que já vimos esse filme: ‘crônica de uma doença anunciada’. Uma história, aliás, que já se repete há muito tempo. Entra ano, sai ano e ela insiste em ‘visitar’ a mídia nacional, quase com os mesmos conteúdos dos anos anteriores. Uma repetição que já está enfadonha, diga-se de passagem.

Da mesma forma que as enchentes e outros descalabros causados pela chuva, que também se repetem em todos os anos, a dengue volta a incomodar a saúde já não muito boa do brasileiro. E parece que esse ano vem com bastante a força.

Segundo levantamento do Ministério da Saúde, 48 cidades apresentam altos índices de infestação do mosquito transmissor da doença, o ‘famoso’ Aedes Aegypti, frequentador assíduo das matérias jornalísticas de verão.

Em Franca, a situação talvez não seja tão preocupante quanto o é nessas áreas de risco, mas também não é daquelas que nos permita ficar tranqüilos. Em 2011, segundo dados da Secretaria de Saúde de Franca, quase 900 pessoas foram infectadas, ante 50 que ficaram doentes no ano passado. Uma diferença significativa e que pode crescer exponencialmente em 2012, caso as autoridades não tomem sérias providências em relação à doença e todos os aspectos sociais, culturais e econômicos que a cercam.

É incrível. Com todo o crescimento econômico que experimentamos nas últimas décadas e com todas as tecnologias que temos disponíveis para as mais variadas áreas do conhecimento, ainda não conseguimos controlar o teimoso mosquito. Além disso, também não conseguimos conscientizar as pessoas em relação aos cuidados necessários para se evitar a procriação do mosquito, de modo que pneus, vasos e outros recipientes continuam cheios de água, verdadeiras piscinas abertas ao deleite do pequeno mosquito.

Talvez não seja por falta de divulgação por parte do governo, nem mesmo de ações que visem conter o mosquito e a doença. Em Franca, por exemplo, a Vigilância Sanitária intensificou as ações do projeto Caça-Dengue, orientando a população com relação aos modos de prevenir a proliferação da doença. Serão visitadas todas as residências da cidade, assim como escolas, igrejas e centros comunitários, nos quais serão distribuídos panfletos, gibis e jogos educativos.

Mas talvez o problema seja cultural. Com uma população pouco escolarizada, ainda fortemente influenciada por hábitos antigos, adquiridos na experiência da vida rural, é bem provável que essa conscientização acabe enfrentando muitas resistências para se consolidar, mesmo que sejam inconscientes.

Como se vê, a despeito das conquistas alcançadas na área da saúde e da pequena melhora em nosso IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), ainda temos um caminho longo pela frente. A despeito de pleitearmos um acento permanente no Conselho de Segurança da ONU, ainda temos que conviver com a velha frase de Mário de Andrade: ‘muita saúva e pouca saúde, os males do Brasil são’.

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