Quase um terço das indústrias de calçados de Franca vai parar neste final de ano. E a novidade é que a maioria das indústrias decidiu encurtar o período de folga. “Normalmente são concedidos 30 dias direto. Neste ano, percebemos que as empresas estão concedendo períodos menores, de no máximo 15 dias”, disse Fábio Cândido, presidente do Sindicato dos Sapateiros. A explicação está nos pedidos maiores.
O sindicalista disse que as férias coletivas nesta época do ano já são uma tradição em Franca. “É muito comum que isso aconteça porque, passado o período de Natal, os pedidos dos lojistas caem à espera da próxima coleção que, normalmente, é lançada em janeiro, durante a Couromoda”, disse Fábio Cândido.
Segundo o sindicato, até ontem, 150 empresas já tinham comunicado a suspensão das atividades, algumas, inclusive, já estão de férias e só voltam a produzir em janeiro. No Ministério do Trabalho, foram 120. Quinze dias antes do início do período de férias coletivas as indústrias precisam comunicar o sindicato da categoria e o Ministério do Trabalho.
Ma enquanto boa parte das indústrias de calçados de Franca está com as esteiras paradas, em pelo menos duas fábricas o cenário é bem diferente. Pela primeira vez nos últimos cinco anos, a Calçados Mariner não dará férias coletivas para seus 300 funcionários. Com a cartela de pedidos cheia, a empresa decidiu manter a produção. “Esse ano não vamos parar. Graças a Deus, temos pedidos para serem atendidos e não podemos atrasar a entrega”, disse Gilmara Lima, encarregada do Departamento Pessoal da empresa.
O mesmo vai acontecer na Francajel. Na sede da empresa em Franca, trabalham cerca de 320 funcionários que não terão descanso prolongado neste final de ano. “Estamos com pedidos para entregar e não poderemos nos dar o luxo de parar a produção. Não vamos trabalhar aos sábados, mas temos que honrar nossos compromissos”, disse Túlio Hajel, diretor da empresa.
Na Francajel, a concessão de férias depende dos pedidos negociados. “Tem ano em que não temos porque manter a produção, então, aproveitamos para dar as férias. Agora, em outros anos, como em 2011, temos compromissos assumidos que não nos permitem parar a produção”, disse o diretor Túlio Hajel.
O Sindicato dos Sapateiros nem o Ministério do Trabalho souberam precisar quantos trabalhadores terão férias neste final de ano.
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