Oposição na Câmara


| Tempo de leitura: 2 min

O ano de 2012 nem chegou ainda e dá sinais de que será um período delicado para o prefeito Sidnei Rocha. A oposição ganhou a Mesa Diretora da Câmara e também vai controlar as principais comissões permanentes. Dessa forma, poderá engessar ou atrasar os projetos de interesse do Executivo, dificultando a vida do prefeito justamente em um ano eleitoral.

É bem verdade que o cacife do prefeito ainda está alto. Pelo estoque presente, tem muita popularidade para queimar. O problema é que em política a lógica nem sempre é cartesiana e linear. Estar de bem com a população hoje não quer dizer se estará também amanhã.

Nesse sentido, é bom que o Executivo comece a dar mais atenção à Câmara, revendo o relacionamento que mantém atualmente com os vereadores e até mesmo repensando-o estrategicamente. O recado já foi dado. Pelas palavras do presidente eleito, vereador Válter Gomes, suas prioridades serão recuperar a imagem da Câmara junto à população e melhorar a comunicação com a comunidade.

Nas entrelinhas desse discurso, corre solta a intenção de trazer de volta para o legislativo o reconhecimento e o respeito da cidade, tão abalados nesse último mandato. Para isso, precisará agir com firmeza, tanto no âmbito interno, tentando atenuar os erros e as trapalhadas realizadas pela Câmara, como no externo, buscando refrear um pouco a liberdade exagerada com que o executivo circulou pela Câmara nesses últimos tempos.

Até aí tudo bem, faz parte do jogo democrático. O perigo, porém, é que o revanchismo que atualmente parece opor o Legislativo e o Executivo de nossa cidade se transforme em uma querela mais pessoal do que ideológica, democrática e partidária.

Um Legislativo que se oponha ao prefeito por questões conceituais, embasadas em argumentos sérios e que tenham como objetivo maior o bem da cidade será muito bem vindo, não pela simples oposição, em si mesma, mas por ser esse o verdadeiro papel dos vereadores.

O poder Legislativo, em todos os níveis da Federação, é sempre o espaço do debate de idéias e de princípios. É o espaço da democracia, por excelência. Opor-se ou entregar-se ao executivo pura e simplesmente, por questões que envolvam outros interesses - que não o bem da comunidade - como sentimentos de simpatia ou antipatia pelo governante de plantão, é abdicar do espírito republicano ensejado nas urnas.

Se a Câmara conseguir esquecer as rusgas e os conflitos ocorridos recentemente entre Executivo e Legislativo e concentrar-se em desenvolver realmente um parlamento atuante e combativo, será um ótimo presente para a cidade, inclusive para o prefeito, que poderá debater seriamente com a Câmara os desígnios de Franca.

Tomara que nos próximos meses o noticiário político traga mais debates e conflitos de idéias do que xingamentos, desavenças pessoais e trapalhadas.

Mas isso, só o tempo dirá.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários