Daniel Rodrigues e Samuel Santos
O sábado foi marcado pela despedida dos três mortos da tragédia ocorrida no Jardim Portinari, zona Norte de Franca, na manhã da última sexta-feira, 9. Eloísa Cristina Francisco, 14, e sua avó Euripa das Graças Borges, 57, mortas a tiros pelo ex-namorado da jovem, foram sepultadas no fim da tarde no Cemitério Santo Agostinho. O sapateiro Thayron Herivélton Ribeiro da Silva, 19, autor do bárbaro crime, foi enterrado pela manhã no mesmo local. Em comum nos dois cortejos, a chuva que molhou a terra e acompanhou as lágrimas de amigos e familiares. Já a quantidade de pessoas presentes nas duas ocasiões foi bem distinta: enquanto no da jovem e de sua avó mais de 100 pessoas foram dar o último adeus, no de Thayron cerca de 30 pessoas se despediram.
Usando um revólver calibre 38, Thayron entrou na casa da ex-namorada Eloísa e atirou três vezes contra a jovem. Os tiros atingiram a cabeça, barriga e peito da garota. Em seguida o sapateiro efetuou mais quatro tiros, dois contra a avó de Eloísa, Euripa Borges, que morreu na hora, e os outros contra o pai, o sapateiro Luciano Borges Francisco, 33, que atingiram seu peito o deixando ferido com gravidade. Luciano foi socorrido para a Santa Casa, passou por cirurgia e não corre mais risco de morte (leia mais no texto ao lado). Depois de descarregar o revólver na família, Thayron o recarregou e cometeu suicídio com um tiro na boca. O motivo do crime seria o fato do sapateiro estar inconformado com o término do namoro com Eloísa.
Por volta das 8 horas de sábado e debaixo de forte chuva, o sapateiro Thayron foi o primeiro a ser sepultado. Sua mãe, que tem problemas de saúde, acompanhou o enterro amparada por irmãos. Ela não quis comentar a tragédia protagonizada pelo rapaz. Apenas um tio do sapateiro concedeu entrevistas, dizendo que o sobrinho era uma pessoa muito “fechada” e que seu gesto pegou a todos de surpresa. “Ninguém esperava uma coisa dessas”, disse o madeireiro Joel Pereira Ribeiro.
O enterro durou menos de dez minutos. Não houve homenagens nem despedidas marcadas com orações ou mensagens. Segundo um dos tios do sapateiro, a família já havia rezado e se despedido de Thayron no velório, que ocorreu em Cristais Paulista.
TRISTEZA
Às 16h30, foram sepultadas a jovem Eloísa e sua avó, Euripa, no mesmo cemitério. Durante a manhã e a tarde, os corpos das duas permaneceram no Velório Municipal do Leporace. Familiares, amigos e conhecidos se despediam e acompanharam o enterro.
Tatiana Cristina Retucci, 32, mãe de Eloísa, era a pessoa mais amparada por pessoas próximas. Nos últimos momentos, todos observavam o rosto da adolescente em profundo silêncio, rompido por Tatiana no momento da descida do corpo. “Acorda Eloísa, levanta minha filha”, suplicava a mulher, aos prantos e amparada por suas outras filhas. “Deus, dá outra vida para minha filha.”
A chuva fina intercalava momentos de pausa. Poucos dos presentes levaram guardas-chuvas. Em cima da cova de Eloísa, dois vasos e uma coroa de flores marcavam o local. Vinte minutos depois, a outra van desceu com o corpo de Euripa. Era o fim das despedidas.
Boa parte das pessoas que foram se despedir conheciam Eloísa e Euripa da igreja, localizada no Jardim Pinheiros. “Ela foi uma senhora muito zelosa com as meninas. Levava e buscava na escola e foi pra proteger a Eloísa que ela acabou morrendo”, comentou uma companheira de congregação. “Fiquei sabendo do ocorrido pelo rádio, mas não acreditei no começo que seria ela. Só quando disseram o nome que fui perceber”, relatou outra conhecida de Euripa. Um grupo de amigos de escola de Eloísa também esteve presente. “Ontem eu mal conseguia caminhar com firmeza, de tão abalado que fiquei. Fomos colegas ano passado, esse ano ela parou de ir”, disse um dos amigos.
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