A estrada de terra molhada pela chuva fina da noite da última terça-feira estava movimentada. Caminhões lotados de animais, caminhonetes e carros de passeio enfrentavam a lama e a escuridão para chegar ao galpão que um dia serviu de curral numa fazenda encravada entre o Parque Vicente Leporace e o Jardim Vera Cruz. Dentro, mesas, cadeiras e bancos. Num dos cantos do espaço, uma pequena arena redonda foi montada.
Aos poucos, o galpão vai se enchendo. Perto das 20h30, mais de 100 homens estão reunidos. Todos querendo vender ou comprar gado de corte. O leiloeiro anuncia o início dos trabalhos. Dois homens entram na arena com a bandeira do Brasil. Uma gravação do Hino Nacional é tocada. A cena aconteceu na mais tradicional casa de leilão de gados de Franca: a JP Leilões, que funciona todas as terças-feiras há 15 anos e se repete em outras três casas localizadas em Franca e região.
Para quem visita os galpões de leilão pela primeira vez, o movimento de pessoas e animais assusta. Numa noite boa, um leilão chega a reunir 600 criadores. Nenhuma das casas divulga oficialmente os valores que movimenta. Mas durante o tempo em que acompanhou os lances, a reportagem apurou que, em pouco mais de duas horas, o montante negociado varia de R$ 70 mil a R$ 200 mil, o que corresponderia a uma média de R$ 400 mil por semana nos quatro leilões mais conhecidos ou R$ 1,6 milhão por mês.
Saulo José de Oliveira, diretor-geral da JP Leilões, herdou os negócios de seu pai, José Pedro, o “Zé Pedrinho”, um dos pioneiros no ramo. A casa é a mais movimentada e também oferece estrutura de transporte para os animais negociados. “É um dos nossos diferenciais. Queremos facilitar ao máximo para os nossos clientes, que podem encontrar tudo em um mesmo lugar.”
A JP Leilões tem hoje mais de mil clientes cadastrados, a maioria de Franca e região. Diretamente, emprega 10 pessoas e indiretamente pouco mais de 50. Para participar dos leilões, a casa exige que os animais sejam registrados no EDA (Escritório de Defesa Agropecuária), apresentem a documentação de vacinação e nota fiscal. A capacidade por noite é de 1.300 animais. Os leilões na JP são realizados todas as terças-feiras, mesmo em feriados. “Não fechamos nunca. Precisamos trabalhar”, disse Saulo. Além de gado de corte, a JP ainda leiloa equinos e caprinos. “Negociamos o que o cliente quiser, desde que esteja documentado e legalizado.”
Às margens da Rodovia Ronan Rocha, a Boipec é hoje a casa mais nova do ramo. Com uma capacidade para 2.000 animais, realiza seus leilões toda segunda-feira, sempre a partir das 20 horas. Por noite, negocia em média de 300 a 400 cabeças de gado. Seu rol de clientes hoje tem 800 nomes. “Estamos investindo. Queremos expandir os negócios para outras áreas”, disse Janaína Carrijo, gerente comercial e administrativa da Boipec.
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