Faltam açougueiros nas casas de carne e supermercados de Franca


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EM FAMÍLIA - José Oliveira Silva (ao fundo) trabalha com a mulher e a filha em seu açougue; neste ano teve que contratar ajudantes
EM FAMÍLIA - José Oliveira Silva (ao fundo) trabalha com a mulher e a filha em seu açougue; neste ano teve que contratar ajudantes

Com a aproximação das festas de fim de ano e, consequentemente, o aumento das vendas e do número de clientes, os supermercados e casas de carnes de Franca se veem diante de uma dificuldade: encontrar açougueiros. A escassez de profissionais na área é tanta que, sem saída, os estabelecimentos optam por contratar auxiliares ou treinar candidatos sem experiência.

Sócia diretora da RHDP (empresa de consultoria de RH), Andrea Caleiro, está há quase um mês na busca de um açougueiro com experiência e não consegue preencher a vaga. Segundo ela, a dificuldade existe porque os profissionais da área migraram para outros setores ou buscaram uma maior capacitação dentro do setor de alimentação. “Antes não tinha essa valorização, então os açougueiros acabaram procurando se capacitar em outras carreiras. A dificuldade vem de meses anteriores, mas aumenta de agora até fevereiro.”

Com ganhos iniciais a partir de R$ 750, o antigo açougueiro agora é chamado de manipulador de carnes e precisa acumular conhecimentos de higiene, conservação de carnes e atendimento ao cliente, fora a experiência em cortes de carne bovina, suína e de aves. Profissionais com vontade de trabalhar, que investem em treinamento e adquirem prática em pouco tempo têm boas chances de se destacar na atividade e ver os rendimentos ultrapassarem os R$ 1 mil.

No começo de novembro, um curso de qualificação de manipulação de carnes oferecido gratuitamente pelo Programa Via Rápida Emprego do Governo do Estado de São Paulo formou 30 novos profissionais. Seis deles conseguiram colocação no mercado de trabalho no dia da entrega de certificados (veja texto nesta página).

Segundo a psicóloga Paula Takeda Lélis, encarregada do setor de RH de uma rede de supermercados da cidade, o açougueiro tem sido o profissional mais difícil de se contratar. Quando não é a falta de experiência, Paula esbarra nas exigências feitas pelos candidatos que têm pretensão salarial acima dos padrões da carreira. “Dezembro é um mês de muito movimento na área de açougues e por isso precisa de mais profissionais. Com a demanda em alta, muitos acabam exigindo acima do salário da categoria.”

Adriana Barbosa Silva Lopes, proprietária da Casa de Carnes Redentor, diz que ficou um mês em busca de um funcionário até encontrar um candidato, atualmente em fase de teste. Dos currículos que recebeu, a maioria tinha entre 20 e 30 anos e não possuía experiência no ramo. “Foi difícil encaixar alguém dentro do perfil que queríamos e o processo deve se repetir em breve, pois já pensamos em contratar mais um para o próximo ano com a reforma da loja.”

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