A psicóloga Rosely Sayão termina artigo publicado no caderno ‘Equilíbrio’, da Folha de S. Paulo, edição de 29 de novembro, dizendo que não temos sabido transmitir aos nossos filhos a mensagem de que toda conquista depende de esforço. Acredita que - ao contrário e equivocadamente -, temos ensinado que basta apertar um botão para conseguir-se tudo o que se deseja, o que enseja às novas gerações culparem os mais velhos pelos fracassos que experimentam, numa tentativa de eximir-se de responsabilidade.
A vida só nos dá aquilo pelo que empenhamos a correspondente cota de energia. Nada nos ‘cai do céu’. Assim é a Lei, sábia e justa, como enunciada por Jesus na Boa Nova: ‘Faze da tua parte que o céu te ajudará’, ensinando o Mestre a quantos têm ouvidos de ouvir que, na Justiça Divina, não há favorecimento.
Não nos iludamos. A nossa evolução só pode acontecer como resultado do esforço que empreendermos. Atentemos para o fato de que, a cada reencarnação, estamos a braços com as dificuldades que correspondem, justamente, às facilidades pelas quais tenhamos optado no passado. Amanhã, responderemos, quem sabe, com redobrado trabalho, pela indolência de nossa preferência de hoje.
É evidente que podemos estacionar, permanecer indiferentes. No entanto, a evolução é obrigatória, posto que se constitui do processo de volta à Casa do Pai, muito bem simbolizado pela belíssima ‘Parábola do Filho Pródigo’, ensinada por Jesus, na qual o filho, arrependido, retorna ao lar, depois de descobrir que é ali que é feliz.
Segundo o Mestre, a volta daquele filho arrependido satisfez os sublimados desígnios da Lei de Deus, no entanto, a misericórdia que caracteriza a Divina Providência não foi buscar o filho onde ele se encontrava. Ela se realizou ante a decisão de alguém, que se achava perdido, de empreender a correção de um erro, pelo que voltou a ser feliz. Coube ao agente a adoção do expediente da solução, para a reconquista da felicidade. Certamente que o ‘céu’, representado pela ajuda misericordiosa das forças espirituais superiores, estará conosco, apoiando-nos, incentivando-nos, amparando-nos para facilitar a nossa caminhada, mas, jamais fará por nós o que nos compete fazer. A verdadeira salvação virá com o enfrentamento do ‘jugo suave e o fardo leve’ de que nos falou o Cristo-Jesus, representados pelo cumprimento de nossas obrigações para com a Lei, o que nos garante o direito, nascido do dever cumprido. Vê-se que é bem ao contrário do culto ao direito sem obrigação, como divulga a mídia de nossos dias.
Mais uma vez, não nos iludamos, pensando que receberemos ‘de graça’ o que não fizemos por merecer. Afinal, já nos alertava Jesus: ‘A cada um segundo as suas obras’.
Com sua peculiar sabedoria, disse Eurípedes Barsanulfo, o Apóstolo da Caridade, pela mediunidade de Chico Xavier: ‘Vencedor é o que venceu a si mesmo’.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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