Para além da avaliação


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Nossas escolas estão em época de avaliação. Prova Brasil, Saresp e o Avalia, um novo processo de avaliação contratado pela Prefeitura de Franca, específico para as escolas municipais. Durante o mês de novembro, foram três provas. No próximo ano, teremos mais três resultados disponíveis para analisar nossas escolas.

E isso é muito bom. Medir e avaliar são verbos próximos da realidade atual. Medimos e avaliamos tudo para depois compararmos. É assim que interpretamos e compreendemos o nosso entorno. O primeiro relaciona-se mais às grandezas. O segundo requer uma atribuição de valor em relação ao que foi medido. De qualquer forma, ambos se complementam, caminham juntos. Medir sem avaliar beira a inutilidade e avaliar, sem um mínimo de medição, transforma-se em simples opinião.

Atualmente, os processos de medição e avaliação estão em alta. Como o mundo ficou mais complexo, tornaram-se fundamentais para os gestores de todas as áreas. No geral, justificam e direcionam investimentos, permitem a correção de estratégias e a reelaboração de objetivos e planos de ação.

No mundo da educação não é diferente. Para além do desafio da qualidade, um atributo que nosso sistema de ensino ainda não alcançou em sua plenitude, a demanda crescente por serviços educacionais está exigindo um controle mais rigoroso dos processos e dos recursos investidos.

Gostemos ou não, faz parte do jogo. E se analisarmos o nosso sistema de ensino nessas últimas décadas é possível perceber uma evolução. Apesar do ritmo lento e de um patamar de qualidade ainda insatisfatório, os índices de desempenho de nossos alunos melhoraram, tanto nos exames nacionais como nos internacionais.

Entretanto, ão se pode deixar de lançar um olhar mais atento sobre a situação e, assim, se perceber que algumas questões parecem fugir ao alcance da escola e da pedagogia, atrapalhando o ritmo da evolução desses resultados. Questões que podem, às vezes, ser obscurecidas pela dimensão excessiva que acabamos dando aos números, transformando o processo mais em ‘examinativo’ e classificatório do que avaliativo.

Se olharmos as escolas municipais que ocuparam as melhores e as piores posições nos exames anteriores, vamos perceber que os fatores decisivos para essas colocações estão também fora da escola e não só dentro, pois a estrutura física é a mesma para todas, assim como a proposta pedagógica e o treinamento a que se submetem professores e coordenadores.

Para além das diferenças entre as pessoas, o que é normal em qualquer organização, fica claro que os problemas socioeconômicos impactam de formas diferentes os alunos de uma e de outra escola. No geral, escolas que abrigam famílias mais carentes tendem a obter resultados piores.

O assunto, obviamente, é complexo e não pode ser esgotado em poucas linhas. Mas há que se pensar em políticas públicas. Talvez os exames, sozinhos, não bastem.

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