Analfabetismo


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Interessante como os dados demográficos refletem o estilo de vida de uma sociedade, assim como também as transformações que nela vão ocorrendo, de forma ininterrupta, mesmo que elas se deem de forma imperceptível.

O caso do analfabetismo em Franca, por exemplo, é uma clara demonstração disso. À primeira vista, deixa entrever apenas o atraso educacional que de certa forma o país ainda vivencia, se comparado principalmente aos países desenvolvidos. Porém, se olharmos com mais atenção para as características desse analfabetismo, vamos perceber também outras mudanças que vieram ocorrendo de forma subjacente.

A mudança do papel da mulher em nossa sociedade é uma delas.

Segundo os dados do IBGE, a grande maioria dos francanos que não sabem ler ou escrever é branca, tem mais de 40 anos e pertence ao sexo feminino. São mulheres que vieram principalmente da zona rural, seja de Minas ou de São Paulo. Por questões culturais e econômicas, à mulher não cabia o estudo. As primeiras, poderíamos dizê-las derivadas do machismo que sempre predominou em nossa sociedade. Se sua função era seguir a vida à sombra do marido, cuidar da casa e da família, não fazia sentido perder tempo com o estudo, algo que inclusive poderia desvirtuá-la desse caminho. Já as questões econômicas estariam ligadas à própria atividade agrícola, que dispensava, não apenas para as mulheres, mas também para os homens, a lida mais profunda com o mundo dos números e das letras.

Porém, a segunda metade do século passado trouxe enormes mudanças para o país. O Brasil começou a modernizar-se, desenvolveu sua indústria e urbanizou-se. Com isso a cultura e os costumes também foram mudando. No mundo das cidades e das indústrias, a leitura e a escrita fizeram-se imprescindíveis. A educação precisou ser massificada e igualmente oferecida a crianças de ambos os sexos.

Nessas mudanças, a mulher começou a assumir outro papel. Antecipou-se ao homem e aproveitou melhor essas oportunidades educacionais. Como foi se tornando mais escolarizada ao longo dos anos, foi também emancipando-se, já que a educação está diretamente ligada à autonomia. Dessa forma, a mulher foi aos poucos libertando-se do jugo econômico e cultural de homem.

Hoje, os índices educacionais brasileiros revelam que as mulheres já são mais escolarizadas que os homens. No mundo universitário, elas já são maioria e no mundo empresarial tornam-se cada vez mais presentes, atuando nos mais variados setores da economia. Como consequência, aumenta o número de mulheres com cargos de chefia. Aumenta também o número de mulheres que são chefe e arrimo de família.

De simples coadjuvantes, abandonadas ao analfabetismo e aos deveres domésticos, as mulheres assumiram a condição de protagonistas de suas vidas. E passam cada vez mais a influenciar nos desígnios da sociedade, na economia, na política e nos negócios.

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