Os moradores do Prolongamento do Santa Bárbara, na zona sul da cidade, enfrentam problemas com a falta de infraestrutura do bairro todos os dias. As ruas são de terra e as valas surgidas com as chuvas quebram automóveis e impedem a circulação de ônibus. Para piorar, das 72 moradias populares entregues em maio, com a presença do governador Geraldo Alckmin (PSDB), apenas seis não têm problemas estruturais, segundo levantamento feito pela líder comunitária Leandra Aparecida Pereira.
Moradores relatam que suas casas, cujas chaves foram entregues há pouco mais de seis meses, possuem rachaduras, goteiras, entre outros problemas. As moradias estavam sendo construídas em regime de mutirão há quatro anos, mas foram concluídas por uma construtora contratada pela Prohab.
“É muito ruim custar a realizar o sonho da casa própria e ver os móveis de madeira inchando de água. Eu trabalho em casa e chove em cima da minha máquina de pesponto. Se estragar, como vou fazer? Pelo o que estou vendo, vai ter que sair tudo do meu bolso”, reclama Felipe de Assis Bilheiro. Os problemas de Leandra não são menores. “Chove dentro da casa, tem telha quebrada, o forro está caindo, fora que nem os vidros colocaram, quando mudamos. Na entrega das chaves, o Alckmin disse que já tinha a verba para o asfalto e até hoje nada”, diz.
A maior rachadura visível fica na casa do sapateiro Edevaldo Antônio Gonçalves. Ele teme que o asfaltamento agrave a situação. “Essas máquinas mais pesadas vão piorar as rachaduras.”
As moradias foram construídas através de um convênio entre a Prefeitura de Franca, Prohab e CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo). “Anotamos todas as reclamações e notificamos a construtora responsável, que fará um protocolo de atendimento, o acompanhamento e os reparos”, disse Nicola Rossano Costa, diretor técnico da Prohab. A responsável pela finalização das casas e reparos é a ENES Construtora. Seu proprietário, Mauro Marcos Moreira, justificou as avarias. “(O problema) é o tipo de contratação; começou em mutirão, depois acabou diferente.”
A reportagem tentou durante toda a tarde de ontem entrar em contato com Milton Vieira, superintendente regional da CDHU, mas as ligações não foram completadas.
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