Mutirão na Santa Casa


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Os três primeiros dias de dezembro foram significativos para a Santa Casa e para a população de Franca que depende da saúde pública. Como se já refletissem o clima de paz que costuma surgir com a proximidade do Natal, parece que trouxeram um pouco de luz para compensar a escuridão dos últimos meses e clarear as expectativas em relação ao novo ano que se aproxima.

Verba parlamentar de 2 milhões de reais indicada pelo deputado estadual Gilson de Souza promete fazer andar a fila de cirurgias eletivas, parada desde julho desse ano. Somada a uma contrapartida do Estado de mesmo valor, esse montante será suficiente para ‘patrocinar’ cerca de mil procedimentos, que serão realizados em regime de mutirão pelo corpo clínico do hospital.

Sem dúvida, esse é um belo presente de Natal para quem já está há vários anos na fila, esperando para ver atendido um direito garantido pela Constituição Federal, mas que o governo e a sociedade brasileira continuam de certa forma ignorando.

Mas, por incrível que possa parecer, as boas notícias não param por aí. Na reunião que manteve com o deputado Gilson de Souza e com o superintendente da Santa Casa, Fernando Bueno, o coordenador regional de Saúde do Estado, Affonso Viviani, disse que o governo estuda a possibilidade de aumentar o teto de cirurgias a partir de fevereiro de 2012. Atualmente, o Estado paga 250 cirurgias por mês, contra as 350 mensais que o hospital estava realizando quando resolveu suspender esses procedimentos.

Além disso, o coordenador disse também que o governo estadual está preparando um projeto para recuperar hospitais filantrópicos, levando-se em consideração o tamanho, o número de atendimentos e a importância estratégica para a região. Em princípio, a idéia seria aumentar o montante repassado a esses hospitais e nossa Santa Casa, com certeza, estaria contemplada nesse projeto.

O clima parece realmente muito positivo. Até o presidente, Luiz Prior, está otimista. Segundo ele, a intenção é realizar cerca de 4 mil cirurgias até o primeiro semestre de 2012.

Até o ameaçado décimo terceiro dos funcionários já parece equalizado, seja por meio da Câmara Municipal, da Prefeitura ou das negociações via deputado.

Como se vê, depois de um ano conturbado, parece que a Santa Casa terá o que comemorar nas festas que se aproximam. O problema vai ser quando passar toda essa euforia, assim como o espírito natalino. Quando não houver verba parlamentar ou quando o Estado atrasar o dinheiro prometido, como aconteceu recentemente.

A questão é simples. Se não se atacarem as causas, os problemas continuarão aparecendo. E não há como trabalhar em mutirão o tempo todo, nem mesmo com espírito de Natal.

Portanto, às causas, senhores, às causas.
 

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