Costumes e comportamento são sempre dinâmicos, não importa a época histórica, a rigidez ou a flexibilidade do sistema político, a escassez ou a abundância da economia. No mundo moderno, em função da velocidade das transformações, esse dinamismo ganha ainda mais evidência.
A informação, por exemplo, nunca foi tão fácil e amplamente distribuída como acontece nos dias de hoje, a despeito das diferentes condições sócio-econômicas que permeiam as sociedades. Nessa mesma linha de raciocínio, pode-se dizer também que a liberdade sexual vivenciada atualmente tem poucos paralelos na história da humanidade.
No entanto, em função de alguns dados disponíveis, é possível inferir que informação e sexo não têm se encontrado como deveriam, pelo menos não no universo das pessoas de 15 a 24 anos.
Estudo mundial realizado pela Fundação Parenthood detectou que o número de jovens que mantiveram relações sexuais sem o uso de preservativos teve forte aumento nos últimos dois anos. Os dados, obviamente, deveriam trazer uma enorme preocupação, não apenas para as autoridades e para os profissionais da saúde, mas também para toda a sociedade.
Em Franca, por exemplo, o número de jovens entre 15 e 24 anos grávidas cresceu 19,5% nos últimos anos, segundo levantamento da Secretaria da Saúde. A despeito dos projetos de orientação sexual desenvolvidos nas escolas e da distribuição gratuita de preservativos em 14 UBSs (Unidades Básicas de Saúde) da cidade, sem limite fixado nem faixa etária determinada, parece que nossos jovens estão insistindo em praticar um sexo mais perigoso.
Para explicar esse comportamento, alguns especialistas acreditam que esses jovens ainda estejam pouco informados em relação ao que seja uma vida sexual saudável. Entendem também que muitas garotas têm receio de exigir o uso de preservativo pelo parceiro, temendo perdê-lo, ou suscitar-lhe algum tipo de violência.
Mas é difícil acreditar totalmente nessas teses, a despeito da influência que ainda possam ter no comportamento dos jovens. Com tanta publicidade sobre os problemas causados pelo sexo inseguro e com tantos projetos de educação sexual nas escolas, é difícil pensar que esses jovens ainda não tenham compreendido a total dimensão do que está acontecendo.
Talvez o problema não esteja na informação, propriamente dita, mas sim no impulso, na libido e na adrenalina que correm nessas veias jovens e adolescentes. De acordo com os motivos alegados pelos entrevistados para não usarem preservativo, o que mais a pesquisa da Fundação ouviu como resposta foi que no momento de se concretizar o ato sexual não havia preservativo.
Nessa idade, ante abster-se do prazer ou entregar-se ao risco, não é difícil imaginar o caminho escolhido pela maioria. Nesse sentido, talvez seja importante frisar junto a esses jovens a necessidade de sempre carregar preservativos.
E mais diálogo também não faria mal a ninguém.
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