Diminuir em até 80% o risco de desenvolver osteoporose na idade adulta. A tecnologia utilizada pelo especialista em endocrinologia ginecológica e climatério Odilon Iannetta é uma esperança para quem viu pais e avós sofrerem no passado com quedas e fraturas. Ianetta esteve no Centro Médico de Franca, no último fim de semana, para apresentar o método aos profissionais de saúde da cidade.
A proposta do médico, que também é professor da USP de Ribeirão Preto, é utilizar um aparelho com inteligência robótica espacial para avaliar a estrutura óssea a partir dos quatro anos de idade e, assim, detectar até 50 anos antes dos seus sintomas a propensão ao desenvolvimento da doença, que ela chama de ex-enfermidade silenciosa.
O aparelho de ultrassonografia, chamado DMB 3G, mede, através das metáfises das falanges (ossos dos dedos das mãos), a quantidade e a qualidade do osso, sem emitir radiação. O laudo permite que o médico conheça as propriedades mecânicas da estrutura óssea, assim como o formato, as camadas, a elasticidade e homogeneidade do osso, parâmetros que o Raio-X ou a tomografia não conseguem medir. O exame custa em média R$ 280 na clínica Climaterium, em Ribeirão Preto, e também é feito no Hospital das Clínicas.
Segundo o médico, a medição, se feita periodicamente, além de permitir diagnóstico precoce, possibilita identificar um grupo de risco e os fatores que podem colaborar com o aparecimento da doença, quando ele não estiver ligado à genética ou hereditariedade. “Se a quantidade de osso está adequada, mas a qualidade está abaixo do esperado, com base nos resultados do exame, e no histórico pessoal e familiar, eu posso descobrir o que está causando a queda e tratar o problema antes que ele se torne irreversível”, afirma. De acordo com o médico, quando a osteoporose já existe a pessoa perdeu 47% do osso e não tem como recuperá-lo, mas rastreando a microarquitetura óssea há como retardar ou evitar seu surgimento.
O meio e os hábitos de vida colaboram muito com o aparecimento da doença. O excesso de xantina, encontrada principalmente na cafeína, o exagero ou a falta de uma atividade física e alguns tipos de medicamentos podem colaborar com a queda na qualidade da estrutura óssea e aumentar as chances de desenvolver osteoporose a longo prazo. A importância do diagnóstico precoce, diz Ianetta, é que, mesmo que a pessoa já tenha a doença, se a qualidade do osso não estiver deteriorada ainda há algo a fazer.
Para explicar a osteoporose o médico compara a estrutura óssea com um prédio. “Na construção, as colunas, as ferragens e o concreto são a estrutura do osso, já os tijolos são o cálcio. Se não tem boa estrutura, o cálcio não tem onde se fixar”, afirma.
O médico de Ribeirão esteve em Franca a convite do ginecologista Carlos Paim.
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