Pesquisa realizada pelo Instituto Datalink mostrou que 53,3% dos francanos não sabiam ou não se lembravam em que tinham votado para vereador nas eleições de 2008.
Esses resultados, no entanto, não deveriam nos surpreender. Já existem vários estudos que mostram a dificuldade do brasileiro em lembrar os nomes daqueles que escolheram como seus representantes.
Para se ter uma ideia, um mês depois do último pleito, em 31 de outubro de 2010, um em cada cinco eleitores já não se lembrava em quem tinha votado para deputado estadual, federal e senador. Os dados são de uma pesquisa encomendada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mas, se isso acontece apenas um mês depois, imaginem a ‘amnésia’ eleitoral que toma conta de boa parte da população quatro anos depois. Segundo o livro Reforma Política: Lições da História Recente, do cientista político e professor da Universidade Federal Fluminense, Alberto Carlos Almeida, 71% dos eleitores não conseguem se lembrar em quem votaram nas últimas eleições.
O problema, obviamente, concentra-se mais no legislativo do que no executivo. E as explicações para isso podem ser facilmente compreendidas. Em primeiro lugar, precisamos olhar para o passado. Com um histórico de administração extremamente autoritária e centralizada, vamos perceber que a população nunca foi incentiva a participar politicamente. Muito ao contrário, foi instada a permanecer à margem do processo, comparecendo apenas com seu voto obediente. Além disso, o executivo no Brasil foi sempre mais forte que o legislativo. Em nossa democracia ainda incipiente, a caneta que manda e desmanda sempre esteve na mão do executivo. E o povo que hoje se aperta nas cidades, dependendo da educação, da saúde e da segurança pública sabe muito bem disso. Para muitos cidadãos, os parlamentos, em todos os níveis, são grandes sorvedouros de dinheiro público.
Em segundo lugar, é preciso considerar o sistema eleitoral brasileiro de hoje. Sua complexidade atrapalha o raciocínio dos eleitores, sobretudo daqueles pertencentes às camadas de baixa renda, com baixa escolaridade. Para fazer um bom cociente eleitoral, com muitos votos, os partidos costumam lançar vários candidatos. Nesse sentido, a intensidade da campanha e o número exagerado de candidatos e legendas induzem os eleitores a votarem em nomes e não em partidos, o que acaba provocando um apagão cognitivo ao longo do tempo.
Um apagão que parece atingir agora até mesmo o vereador, um ente político que por estar mais próximo da população deveria ter seu nome facilmente lembrado por todos os eleitores.
Mas isso é um bom aviso, tanto para os vereadores quanto para a sociedade. Os primeiros deveriam se preocupar com esse apagão e se abrir mais à comunidade. Já a sociedade deveria pressionar seus representantes para fazerem a reforma política.
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