A máquina do século


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É absolutamente impensável a vida em sociedade nos dias atuais sem a presença marcante do telefone celular. São raras as pessoas que ainda teimam em não ter um.

Tenho um amigo, também advogado, que não o tem como forma de protesto pelo uso que ele julga desmedido. São pessoas de todas as idades e classes sociais.

As operadoras de telefonia agradecem. O lucro delas vem se multiplica ano a ano. Economistas chegam a afirmar que, atualmente, o melhor negócio do mundo é empresa operadora de telefonia, embora isso contrarie a famosa frase atribuída a Rochefeller, quando ele era o maior magnata do planeta: ‘o melhor negócio do mundo é uma empresa de petróleo bem administrada. O segundo melhor é uma empresa de petróleo mal administrada, ou seja, petróleo de qualquer jeito’.

Há que se reconhecer que são múltiplas as funções atribuídas ao aparelho celular. Não se presta apenas como objeto de comunicação entre pessoas que se encontram em locais diferentes do planeta.

Em verdade, os atuais e modernos aparelhos são dotados de várias outras funções – câmeras fotográficas, filmadoras, rádios, MP3, MP4, Ipod, smartphone, agenda eletrônica, calculadora, jogos, GPS –, além de permitir acesso ilimitado à Internet, dentre outras funções que posso não ter lembrado e outras que sequer conheço. Já presenciei pessoas à beira de um ataque de nervos, pois não sabiam onde haviam deixado o aparelho celular.

Evidente que se trata de ferramenta de extraordinária importância para a humanidade, especialmente em tempos de acelerada globalização onde se necessitam de informações rápidas e precisas, em tempo real.

Há algum tempo correu a informação de que o uso exagerado do celular poderia ser prejudicial à saúde. Ao que sei, essa possibilidade ainda não foi cientificamente comprovada, muito embora a dúvida persista.

O ponto que, a meu ver, merece uma profunda reflexão, está associado ao fato de que as pessoas não estão tendo senso do ridículo. Não desligam o celular em hipótese alguma, mesmo quando vão dormir ou namorar.

É comum ouvir celulares tocando em cultos religiosos, teatros, cinemas, palestras, salas de aulas, reuniões de trabalho e até em velórios. Ora, isso me parece exagerado e inaceitável.

Consta que alguém, no passado, teria afirmado que o carro é a continuidade dos nossos pés, o microfone, da nossa voz; e a luneta, dos nossos olhos. Contudo, em qualquer hipótese, o homem era o centro e o foco de tudo. Atualmente, ao que parece, houve uma inversão, o homem é a continuidade ou a extensão de seu aparelho celular, esse sim, o atual centro de tudo.

Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca

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