Acabar com o casamento por meio do divórcio tem se tornado algo cada vez mais comum entre os casais em Franca. Pelo menos é o que o aponta a pesquisa Estatísticas do Registro Civil, divulgada ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Segundo o estudo, ao longo do ano passado 651 casais se divorciaram na cidade. Quase dois por dia. Um aumento de 73,6% em relação aos 375 matrimônios que chegaram ao fim em 2009. Na região, outros 12 casais também tomaram a mesma iniciativa. Nove em Patrocínio Paulista e outros 3 em Pedregulho.
O crescimento do número de divórcio está atribuído a uma mudança na legislação que facilitou o processo. Antes, para se divorciar o casal precisava ter pelo menos um ano de separação judicial ou estar há dois anos separados de fato, mas casados diante a Justiça. Com a alteração da lei, o fim oficial do casamento pode ocorrer imediatamente após a decisão do casal de retirar as alianças.
“Ficou mais prático, pois agora não há prazo para um processo, que antes era lento. Até na Justiça está mais rápido, principalmente se houver consenso entre as partes”, disse a advogada Gislaine Rodrigues Mendonça, que acredita que a falta de tolerância e a incompatibilidade entre os cônjuges têm contribuído para essa decisão.
Para o pastor da Igreja Assembleia de Deus, Levi Duarte, o aumento pode ser relacionado ainda “à falta de valorização da família e das pessoas colocarem em prática o que ordena a palavra de Deus”. Segundo ele, o casamento está se tornando banal e muitos casais têm buscado somente o crescimento material.
Psicóloga aposentada da Unesp e autora do livro “Família e mitos”, Marilene Kron, diz que também deve ser levado em conta o cotidiano dos casais da atual geração. “Hoje as pessoas estão muito imediatistas e concentram muita expectativa no outro. O casamento exige uma grande reorganização, enquanto isso há muita facilidade de encontrar um novo parceiro.”
Segundo os dados apresentados na pesquisa do IBGE, dos 651 divórcios formalizados no ano passado, 385 ocorreram de maneira direta e 266 indiretamente (separação judicial). Desse total, em 199 dos casos o divórcio envolveu guarda dos filhos menores pela mulher.
“O desgaste do divórcio diminuiu bastante. Agora os casais nem pedem mais a separação, divorciam direto e são poucos os que procuram o restabelecimento da sociedade conjugal”, disse a escrivã oficial do 2º Cartório de Registro Civil da cidade, Maria Salete Gomes Teixeira. Até ontem, 480 casais já haviam se divorciado naquele cartório só neste ano. A maioria deles formado por jovens com até dez anos de união.
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