Atraso nas obras


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O atual governo de Sidnei Rocha não é apenas um atraso político para a cidade, mas também administrativo. Passei pela rodoviária ainda em obras e que está atrasada quase um ano. A novidade é que desapareceu a divertida sala mambembe do MIS. No mais, as mudanças são cosméticas, como sempre. Enquanto as Comissões de Obras e de Orçamento da Câmara Municipal, controladas pelos aliados do Prefeito, não se interessarem pelo assunto, não será possível aumentar a eficiência de sua realização e fazer as empreiteiras cumprirem os prazos contratados.

Os constantes aditamentos de prazo e de custos nas obras construídas pela Prefeitura na atual gestão já geraram um problema enorme para os usuários dos serviços públicos, que tem que conviver, por exemplo, com a rodoviária em obras e as dificuldades do atual pronto-socorro Dr. Janjão e, de quebra, a impossibilidade do Prefeito inaugurá-las durante as comemorações do aniversário da cidade, época usualmente preferida para entregar obras aos cidadãos que pagam seu salário, dos vereadores e dos secretários municipais. Esses, ao invés de dedicarem mais tempo à fiscalização das obras sob suas responsabilidades, e exigirem o cumprimento de prazos e custos, digladiam-se entre si para ter o nome indicado à disputa pela Prefeitura.

A ira do Prefeito contra funcionários de uma empresa de ônibus – e que lhes custou o emprego –, deveria ser dirigida à sua assessoria que ofende a inteligência e a paciência dos usuários das obras com as desculpas pelo atraso.

A Secretaria de Planejamento atribui (Comércio de 15/11/2011, página A-3) o atraso às chuvas entre novembro de 2010 e abril de 2011. Não choveu ininterruptamente, e somente agora estão fazendo as poucas obras externas previstas, apenas um gradil e uma cobertura metálica, quando já é novembro novamente e voltou a chover. Que ‘havia previsto fazer a reforma de uma vez só, mas teve que montar uma logística para a rodoviária continuar funcionando’, ou seja, licitou-se a obra sem pensar o que aconteceria com as partidas e chegadas de ônibus? Que faria uma reforma em obra de trinta anos atrás e não iria trocar as fiações elétricas, pois para isso, ‘seria necessária uma tomografia das paredes’? Parece brincadeira, mas não é. Esse é o padrão do atual governo municipal.

Quanto custa esta inépcia aos cofres do poder público e aos munícipes? São sucessivos aditamentos e adiamentos à entrega de melhoramentos públicos que poderiam ser evitados se a Prefeitura melhorasse a qualidade e a quantidade de profissionais das áreas afins às obras e as metodologias de gestão, fiscalização e pagamento das medições.

No entanto, o que se vê é uma constante renovação dos quadros comissionados da secretaria responsável, o que impede o planejamento e o desenvolvimento de uma fiscalização de obras eficiente e moderna.

Uma coisa é certa, os problemas gerados pela incompetência na gestão dos contratos de obras atingem principalmente os mais pobres, que se utilizam obrigatoriamente dos serviços públicos.

Mauro Ferreira
Arquiteto e professor da FESP-UEMG

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