Todo processo de transformação da natureza gera algum tipo de resíduo. A moderna sociedade capitalista, no entanto, intensifica esse resíduo de forma acentuada. Mesmo considerando que vivemos em uma sociedade de super oferta, que supera de longe as nossas reais necessidades, as empresas não podem parar de produzir. É preciso fazer girar a economia para se evitar (ou pelo menos adiar) as crises e recessões.
Nesse sentido, elas fazem de tudo para nos envolver na experiência contínua do consumo. Por meio do crédito fácil e de modernas técnicas de marketing, com muita comunicação, design e tecnologia, elas acabam influenciando nossos desejos, transformando-os em verdadeiras necessidades.
Como resultado desse processo, intensificam-se o consumo, a produção e a geração de resíduos. Há que se preocupar, portanto, com o futuro, pois como disse Peter Drucker, “as árvores não crescem indefinidamente até o céu”. Se continuarmos girando a economia nessa velocidade contagiante do mundo globalizado, certamente teremos problemas ambientais bastante sérios, como já começa a acontecer na China, por exemplo.
No entanto, também não conseguiremos reverter essa tendência de uma hora para outra. Para além dos hábitos de consumo já arraigados em nossa cultura, seria difícil convencer as classes de baixa renda, recém-admitidas nesse mundo prazeroso das compras, a deixarem de consumir sofregamente, como a se vingarem de séculos de exclusão e anonimato.
Nesse sentido, a proposta da Prefeitura e da Associação de Supermercados ganha bastante relevância. Noticia publicada pelo Comércio no sábado, 19/11, mostra que ambas as instituições estão convocando a população para ficar um dia sem utilizar qualquer tipo de sacola plástica.
A ideia é simples. Se não há como interferir na intensidade da produção e do consumo, então que se trabalhe o comportamento e as atitudes dos cidadãos, levando até eles a preocupação com o meio ambiente.
Nesse caso específico, estima-se que a cidade consuma 252 milhões de unidades no ano. Esse volume, logicamente, não se dissolve em nossos lixos caseiros. Muito ao contrário, por sua durabilidade, acaba contribuindo para que os municípios tenham que aumentar suas áreas de aterro, apenas para receber toneladas e mais toneladas de lixo, o que aumenta os problemas ambientais.
É claro que a simples eliminação da sacolinha plástica não acabará com o problema do lixo, nem do aterro. O investimento em reciclagem continuará fundamental para o enfrentamento desses entraves. No entanto, uma forcinha da comunidade poderá ajudar bastante. A despeito de já estarmos acostumados com esses recipientes, poderíamos fazer um esforço e mudar nosso comportamento, repetindo as atitudes nossas avós, com suas sacolas caseiras e duradouras.
Pode até ser uma atitude simbólica, mas com certeza já serviria como uma reflexão importante, quase um aviso dos problemas ambientais que devem vir por aí.
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