O trânsito de Franca registrou neste ano 24 atropelamentos com morte, até a semana passada. O último caso foi o da idosa Maria de Lourdes Martins, atropelada na Rua Francisco Marques no último dia 9 por um comerciante que estaria em alta velocidade.
O caso eleva as estatísticas dos acidentes registrados na cidade. Até 31 de outubro, segundo os dados do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar, em média a cada 51 minutos uma pessoa se envolveu em algum tipo de acidente de trânsito nas vias públicas de Franca. Foram 8.626 pessoas envolvidas em 4.527 acidentes nas vias urbanas ou rodovias da cidade sob jurisdição da PM. Morreram nos locais de acidentes 28 pessoas e mais 26 morreram em hospitais. Além disso, 2.384 pessoas sofreram algum tipo de ferimento.
A população na faixa etária de 30 anos a 59 anos é a que lidera as estatísticas com 4.682 envolvidos, ou 54,28% do total. Motoristas, motociclistas, passageiros, pedestres e ciclistas da faixa etária de 18 anos a 29 anos aparecem em segundo lugar com 2.899 envolvidos (33,61%). Os idosos - pessoas com mais de 60 anos - somaram 817 ou 9,47% do total. Na faixa etária de zero a 18 anos houve participação de 228 crianças, adolescentes e jovens, ou, 2,64%.
Para especialistas em trânsito, o número de acidentes assusta e é resultado principalmente da imprudência. “Estatisticamente está comprovado que em 90% dos acidentes a imprudência, seja do motorista, seja do pedestre, seja do motoqueiro, seja do ciclista, é a causa principal destes sinistros registrados”, disse o sargento Henri Claus, da Polícia Rodoviária de Franca, que tem em seu currículo vários cursos de especialização em trânsito rodoviário.
A alta nas ocorrências de trânsito também é reflexo do aumento no número de veículos. Em 10 anos, a frota brasileira dobrou e Franca acompanhou esta tendência, “Com mais automóveis, motos, ônibus e caminhões em circulação, ou seja, mais veículos nas ruas, ocorrem mais acidentes de trânsito”, destacou o capitão Marcus Araújo, comandante da Força Tática e do Pelotão de Trânsito. Aliado ao maior número de veículos em circulação, ele também aponta a falta de conscientização do motorista como um dos principais fatores para o elevado número de acidentes.
Para um policial do setor de trânsito que pediu para não ser identificado, as autoridades públicas precisam adotar medidas sérias para tratar o problema e não apenas soluções “tapa-buraco”. “É necessário mais rigor na lei para que se possa tratar as pessoas que dirigem colocando em risco a vida de outras pessoas como criminosos. O motorista tem de saber que se dirigir alcoolizado, por exemplo, vai ser de fato punido”, argumentou o policial.
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