A reportagem do Comércio foi até duas escolas de Ensino Médio de Franca, no período diurno, ouvir os estudantes sobre a questão do sexo sem proteção. No COC Franca Monteiro Lobato, foram entrevistados 12 alunos do 1º ao 3º ano, com idades entre 15 e 18 anos, enquanto na escola estadual Evaristo Fabrício, do Jardim Aeroporto I, foram 7 estudantes do 2º e 3º ano, com idades entre 16 e 17 anos. Por serem menores de idade, os nomes são fictícios.
No COC, os alunos se mostraram mais à vontade para falar sobre sexo e também para dispensar o preservativo. Diogo, 17, conta que a sua primeira vez foi sem camisinha, mas as relações sexuais seguintes foram com proteção. O mais velho da turma, Ricardo, 18, também deixou de ser virgem sem se prevenir, mas alega que só não usou a camisinha porque ela estava ressecada.
Letícia, 17 anos, conta que já fez relação sexual sem a camisinha, mas tomava remédio anticoncepcional. “Comecei a namorar aos 14 anos, ele era mais velho. Minha mãe é médica e até fizemos testes de Aids para podermos transar sem camisinha. Já meu pai finge que não sabe.”
Rafael, 16, afirma que nunca transou sem camisinha e que o preservativo é como um acessório. “Antes de sair de casa coloco uma no bolso da calça porque na carteira estraga.” Questionado se transaria sem o preservativo, respondeu: “Depende da pessoa, se ela não for vulgar...”.
“A mulher apaixonada confia no parceiro e fica mais vulnerável em relação à contracepção”, diz Letícia.
Em meio à discussão, Carolina, 15, diz ser virgem e que não teria coragem de fazer relação sexual sem camisinha. “Acredito que os métodos contraceptivos não funcionam 100% e só farei sexo depois do casamento, quando eu tiver condição de sustentar um filho”, afirma, contando que a família é católica e nunca conversou com ela sobre isso. “Tem a questão moral também. Já namorei durante um ano e meu relacionamento chegou ao fim porque eu não queria transar.”
Segundo os estudantes do COC, jovens de classe média alta se preocupam mais com a prevenção. “O maior medo dos homens é engravidar uma moça porque nos preocupamos com o nosso futuro, ainda vamos fazer uma faculdade e um filho agora vai ‘ferrar a nossa vida’”, diz Ricardo.
Os alunos da escola pública do Jardim Aeroporto têm a mesma preocupação. Dominique e Rafaela, ambos de 17 anos, namoram há um ano e conheceram o sexo juntos. Eles garantem que nunca transaram sem camisinha. “É mais fácil segurar do que correr o risco de ela engravidar”, diz o rapaz. Henrique, 16, era virgem até o ano passado, e também conta que já deixou de fazer sexo por falta do preservativo. “Agora, sempre carrego três camisinhas na carteira”.
Marcela, 17, conheceu o sexo aos 14 anos com o namorado, com quem se relaciona desde então. Sem a camisinha, ela buscou outro método contraceptivo. “Todas as vezes que transamos sem preservativo tomei a pílula do dia seguinte. Mas agora compramos a camisinha antes de sair”, diz.
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