O Espírito é a individualização do princípio inteligente, conforme nos ensina a questão número 23 de O Livro dos Espíritos. Como tal princípio só pode ter sido criado por Deus, deduz-se, meridianamente, que o Espírito é Criação Divina, ostentando todos os caracteres comprobatórios da sua origem.
Na condição de essência do Ser racional, a ele cabe desenvolver os potenciais de que é dotado. Se segue a orientação intuitiva da Suprema Lei, colhe resultados positivos. Se, ao contrário, sucumbe diante das próprias fraquezas e infringe os superiores desígnios, contrai sofrimentos, como resultado da sua livre escolha.
Para iniciar o processo de volta à Casa do Pai, entra na roda das reencarnações, a SAMSARA, como a denominam os budistas. Reencarna em diferentes grupos, em variados ambientes planetários, sempre submetido a um planejamento que lhe corresponda à necessidade evolutiva. Nunca para errar - convém repetir.
O objetivo de cada reencarnação é o do progresso e não o do retrocesso. Assim sendo, todo grupamento humano é, antes de tudo, um grupamento de espíritos reencarnados, visto que somos essencialmente espíritos. E como todos os espíritos são filhos de Deus, segue-se, em boa lógica, que todos somos irmãos e iguais perante a Lei Divina.
Como diz Paulo, na epístola aos Efésios, Deus não faz acepção de pessoas. Como as pessoas são espíritos, segue-se que Deus não faz acepção de espíritos, quer dizer, todos somos iguais perante o Criador, os povos, as raças, as nações. Não há preferência por quem quer que seja. Daí, podermos afirmar que ‘Deus não é brasileiro’! Deus é Pai de todos, estejam onde estiverem, vivam em que planeta viverem, seja qual for o nível evolutivo a que pertençam. É este, alias, o núcleo conceitual da resposta à pergunta n´ 803 do livro básico do Espiritismo.
Assim sendo, não há raças superiores, como não há inferiores! O que há são raças mais evoluídas tecnologicamente e naquilo que se convencionou chamar de civilização.
Convenhamos, pois, que as raças que supomos atrasadas, do ponto de vista da sua cultura, atendem plenamente aos seus próprios anseios. Perante a Justiça Divina, porém, não há diferenças entre elas. Todas são consideradas na mesma medida. A única diferença consagrada pela Lei Maior é de ordem moral. Daí, cairem por terra todas as hierarquias, todos os postos, todos os estatus, porquanto, pode acontecer que alguém de menos poder financeiro esteja superiormente colocado, ante os poderosos do mundo.
Não será por isso que Nosso Mestre Jesus resolveu surgir na Manjedoura? Não só demonstrou humildade, mas, sobretudo, uma inequívoca mostra de superioridade moral.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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