Lígure, nasceu em 1676, filho de capitão da marinha, Domingos Casanova, que o deixou órfão em tenra idade. Fez seus estudos em Roma no Colégio Romano e depois entrou no retiro de São Boaventura, no Palatino, vestindo aí o hábito franciscano. Desenvolveu sua atividade sacerdotal provavelmente em Florença. As cruzes plantadas por seus confrades fora da Porta de São Miniato tornaram-se para ele, outros tantos púlpitos ao aberto. Sobre a eficácia de sua palavra fundaram-se alguns episódios da vida do santo. No fim de uma prédica sobre a Paixão, na Córsega, os homens, endurecidos pelo ódio secular, descarregaram seus fuzis para cima e se abraçaram em sinal de paz. Suas pregações constituíam uma advertência para todos os cidadãos em Florença. No jubileu de 1750, proclamado por Bento XIV, o Papa Lambertini de Bolonha, fez muito sucesso a via-sacra pregada por Frei Leonardo aos 27 de dezembro no Coliseu. Era a primeira vez que se celebrava um rito religioso no anfiteatro Flávio. Desde aquele ano a piedosa tradição se mantém até aos nossos dias e toda a Sexta-feira Santa o Papa faz pessoalmente o rito penitencial. Aquela via-sacra foi muito importante para a arte: o Coliseu até aquele ano tinha servido como pedreira, mas depois daquela memorável via-sacra foi considerado lugar sagrado, meta de devotas peregrinações, e a sua demolição parou. Frei Leonardo era grande devoto de Nossa Senhora. O Santo da via-sacra e da Imaculada Conceição, o Frade que salvou o Coliseu de ruína total, o pregador inflamado da Paixão de Cristo, esses são os títulos de São Leonardo de Porto Maurício.
ORAÇÃO
Da História Humana
Deus, nosso Pai, sois aquele que vive para sempre. Conheceis os caminhos tortuosos de cada geração.
Conheceis a vaidade humana. Presenciais o nascimento e a morte das estrelas, sabeis quando a falha cai no chão e quando a rama se inclina ao vento. Segues as gerações que passam os impérios que se sucedem os poderosos que caem no esquecimento. Somente vós permaneceis atual e á frente dos tempos. Fulgurais como Sol nascente e não conheceis poentes. Sois necessário como a água é indispensável, como ar, o sal e o fogo, que tornam possível nossa existência. Sois o Amor, o segredo e a fonte de toda alegria e encantamento. Estais presente no coração das criaturas como a voz clamante no deserto humano. Diante de vós, todo erro é revelado, todo sofrimento é abrandando. O vosso sopro afaste lágrimas e tristeza. Egoísmo, ganância, ódio e falta de perdão deem lugar à ternura e à compaixão. Em vós, temos a certeza de que é possível amar de verdade, ser misericordioso e praticar a justiça. É possível prestar ajuda a quem precisa e ser ajudado também. É possível perdoar as ofensas, ser perdoado, buscar a concórdia e a reconciliação. É possível aprender a escutar a voz da consciência que, ao balbuciar ‘Pai’, a todos proclama irmãos. É possível fazer a justiça e a verdade como quem amassa o próprio Pão.
Os Cinco Minutos dos Santos/ J.Alves
São Paulo. Editora Ave-Maria.
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