Sapateiros antecipam campanha para aumento maior que 8,5 %


| Tempo de leitura: 2 min
‘INJUSTO’ - O presidente do Sindicato dos Sapateiros, Fábio Cândido, em imagem de arquivo: ‘O sapateiro move a economia de Franca, e mesmo assim tem um dos menores salários da cidade’
‘INJUSTO’ - O presidente do Sindicato dos Sapateiros, Fábio Cândido, em imagem de arquivo: ‘O sapateiro move a economia de Franca, e mesmo assim tem um dos menores salários da cidade’

Com o objetivo de antecipar o desfecho das negociações salariais para o ano que vem, o Sindicato dos Sapateiros do Município de Franca já se mobiliza para apresentar, ainda este mês, a proposta de reajuste salarial da principal categoria profissional da cidade, que corresponde a pelo menos 10% da população francana. A meta da entidade é enviar até a próxima quarta-feira (30) a pauta de reivindicações ao sindicato patronal. O mesmo expediente já havia sido adotado campanha salarial anterior e fez com que o acordo fosse fechado 13 dias após a data-base, em 1º de fevereiro. Há dois anos a negociação se arrastou por quatro meses, e teve intervenção da Justiça do Trabalho.

Os trabalhadores das indústrias da cidade foram convocados a participar de assembleias e reuniões sobre o tema. Um boletim impresso foi elaborado para divulgar a ação e spots publicitários têm sido veiculados em carros de som e emissoras de rádio da cidade. O presidente do Sindicato dos Sapateiros, Fábio Cândido da Silva, justifica que a medida foi tomada para garantir o novo piso salarial dos sapateiros na data exata. “Os aumentos salariais têm sido firmados nos últimos anos em maio, junho ou até julho, e não queremos que isso ocorra mais. A data-base do sapateiro de Franca é 1º de fevereiro, e ela deve ser respeitada”, disse. Neste ano, o reajuste salarial foi fechado entre os sindicatos no dia 14 de fevereiro, duas semanas após a data-base.

Cândido explica que a pauta foi elaborada com apoio do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) e espera que as rodadas de negociação com o Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) ocorram já a partir de dezembro. “No dia 30 encaminharei a pauta ao Sindifranca, para que esta discussão comece em breve e termine o mais rápido possível”,

O presidente do Sindicato dos Sapateiros não revela valores, mas dá a entender que o reajuste pretendido será maior do que os 8,5% concedidos neste ano. “As perdas salariais ocorridas nos últimos tempos foram grandes. O sapateiro move a economia de Franca, e mesmo assim tem um dos menores salários da cidade. Enquanto algumas categorias recebem R$ 800, o trabalhador das fábricas de calçados ganha hoje R$ 671. Não é justo”, defende Fábio Cândido.

A última negociação, no início deste ano, durou exatos 30 dias, período em que foram realizadas apenas duas audiências entre representantes de calçadistas e empregados das fábricas. À época, a proposta inicial apresentada pela classe trabalhadora ao Sindifranca foi de R$ 850, sendo rejeitada de imediato. Na reunião seguinte, duas semanas depois, veio o acordo: o piso da categoria passou de R$ 610 para os atuais R$ 671. Entre outros benefícios, o sapateiro francano ainda garantiu uma correção no abono escolar (de R$ 160 para R$ 173,60), além de um seguro de vida de R$ 10 mil.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários