Garcia Netto


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Primeiro conheci seus escritos. Fui, durante muitos anos, seu leitor assíduo, mas não o conhecia pessoalmente. Muito tempo depois a vida nos aproximou. Isso ocorreu quando me mudei com a família para o condomínio onde Garcia Netto já residia com D. Thereza, sua dedicada esposa.

O nome de batismo: José Reynaldo Nascimento Faleiros, porém, adotou o pseudônimo de Garcia Netto. Era mineiro de Capetinga, cidade vizinha e co-irmã da minha Cássia. Capetinga localiza-se bem na divisa dos Estados de Minas Gerais e São Paulo.

Garcia era, no entanto, um cidadão do mundo. Jornalista e radialista por vocação. Homem probo, além de ter sido, inegavelmente, um dos pioneiros do rádio em Franca, no Estado de São Paulo e, provavelmente, no Brasil.

Por longos anos respondeu pela direção da PRB-5 – Rádio Club Hertz de Franca, uma das mais antigas emissoras de rádio AM do Brasil. A PRB-5 foi emissora afiliada do conglomerado Emissoras Associadas do Estado de São Paulo, um dos mais poderosos e importantes veículos de comunicação da história do nosso País. Garcia Netto, com justiça, tinha muito orgulho da sua passagem pelo rádio.

Também foi membro destacado do Lions Clube de Franca. Era extremamente organizado e de posições claras. Lembro-me bem quando ele assumiu o cargo de síndico do condomínio. Dentre outros feitos, relacionou e catalogou todos os ativos do condomínio, dos mais simples aos mais complexos e valiosos.

Quando passei a escrever para este Comércio, em setembro de 2009, já éramos amigos. Na ocasião recebi dele forte apoio. Era comum, quando nos encontrávamos no elevador ou em uma de suas caminhadas de finais de tarde, ele tecer algum comentário elogioso sobre algo de meu última artigo. Percebia, claramente, que ele agia com a manifesta intenção de me incentivar. O incentivo dele eu jamais esquecerei. Lembro-me também dos memoráveis encontros no Clube da Sexta, quando lá comparecíamos em atenção aos frequentes convites do Paulo Pucci.

Garcia lutava bravamente contra um câncer, queria desfrutar por mais tempo da companhia da sua esposa Thereza Aparecida com quem conviveu mais de 55 anos, dos 3 filhos, das 2 noras, dos 9 netos e especialmente dos 2 bisnetos. Porém, no último dia 18 de novembro, com 82 anos, ele nos deixou, serenamente, durante o tradicional cochilo após o almoço.

Nosso último encontro foi rápido, 3 dias antes do seu falecimento. Na ocasião percebi, nitidamente, sua luta pela vida. O consolo para todos, familiares e amigos, é a certeza de que ele viveu uma vida extremamente rica e intensa, tanto no ambiente familiar, seu exemplo.

Assim, externo a todos os seus familiares os meus sentimentos pela perda do homem e principalmente do amigo frater-no.

Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca

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