Ultimamente, tudo que se relaciona à saúde em Franca e região parece se transformar em longas e intermináveis novelas. Pelo menos é o que está acontecendo em relação ao financiamento operacional da Santa Casa e ao preenchimento das vagas direcionadas aos médicos nas cidades da região, inclusive em Franca. A primeira não se resolve e os atendimentos vão sendo empurrados para a fila, sejam consultas, exames ou cirurgias eletivas.
Quanto às vagas, elas vão seguindo abertas, à espera de médicos que se disponham aos salários oferecidos ou substituídas por uma provisória e insuficiente ‘engenharia’ logística desenvolvida pelas secretarias municipais de saúde.
Na última semana, no entanto, decisão do Ministério da Educação veio para mudar essa tendência no que diz respeito às pendências relacionadas à saúde. Ao autorizar o funcionamento do curso de medicina da Unifran, presenteou toda a região com a promessa de melhores dias para o futuro e encerrou uma novela que já se arrastava por sete anos.
Já não era sem tempo. O longo processo de idas e vindas pelos labirintos da burocracia brasileira e do corporativismo das associações médicas só fizeram atrasar o processo, sem trazer nada que fosse relevante para melhorar o projeto.
Mesmo que a abertura de novos cursos de medicina não seja uma unanimidade, não havia uma argumentação lógica e coerente por parte daqueles que lutaram contra a autorização do curso na Unifran. Afinal, as comissões de especialistas que examinaram o projeto o avaliaram positivamente. A instituição cumpriu todas as exigências do MEC e investiu cerca de 4 milhões na estrutura física do curso.
Agora, só nos resta torcer para que com o tempo a oferta de médicos melhore em nossa região. Como já foi noticiado por esse jornal, Franca realizou vários concursos nesses últimos 5 anos e ainda não conseguiu completar todo o quadro médico necessário para atender a população com a qualidade de vida. Em algumas especialidades, como a psiquiatria infantil e a oftalmologia, por exemplo, faltam profissionais, o que obriga a Prefeitura a malabarismos operacionais, como a contratação de serviços terceirizados ou a contratação de médicos em conjunto com outros municípios.
Dentro desse contexto, nos parece que o curso de medicina da Unifran vai contribuir de maneira significativa para a solução desses problemas. Com a vivência universitária, muitos alunos podem acabar criando vínculos com a região. Além disso, a abertura de Residências nas várias especialidades médicas também contribuirá para aumentar a oferta de médicos, e talvez ajude a fixá-los mais facilmente na cidade e região.
Portanto, que seja bem-vindo o curso de medicina. Em uma sociedade de livre mercado como a nossa, o excesso ou a escassez de médicos será equilibrado pela lei maior do capitalismo liberal, a lei da oferta e da procura. A mão invisível do mercado, como dizia Adam Smith.
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