Manifestação no Terminal do Centro acaba em tumulto


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NEGOCIAÇÃO - Policial militar conversa com manifestante para liberar a saída de ônibus do terminal
NEGOCIAÇÃO - Policial militar conversa com manifestante para liberar a saída de ônibus do terminal

Uma manifestação parou o Terminal “Ayrton Senna” e tumultuou o Centro da cidade em pleno horário de pico. Manifestantes que reclamavam do novo sistema de integração e da tarifa cobrada pela empresa São José, responsável pelo transporte público da cidade, fecharam a saída dos ônibus no terminal e tentaram interditar a Rua Ouvidor Freire. A manifestação começou por volta das 17h e durou até as 18h30, período de grande movimento de estudantes e trabalhadores. Passageiros reclamaram do tumulto e alguns perderam o transporte. O trânsito nas imediações ficou lento. A Polícia Militar acompanhou a movimentação com cinco viaturas e 22 homens, que estavam com armas de bala de borracha e bombas de gás lacrimogêneo.

A movimentação começou por volta das 17h, na Rua Ouvidor Freire. Cerca de dez manifestantes, com duas bandeiras do partido PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), vários panfletos e um megafone tentavam chamar a atenção dos populares, que pareciam não dar atenção. O protesto ganhou força quando anunciaram que entrariam na frente dos ônibus. “Vamos fechar aqui para a empresa São José ouvir a gente pelo menos uma vez na vida”, gritou um manifestante.

Os dois policiais que trabalhavam rotineiramente no terminal chamaram reforços. Logo, 22 policiais já acompanhavam a movimentação. O sargento Limirio comandava a equipe. “Eles podem protestar de uma maneira pacífica, mas sem impedir o pessoal de trabalhar”, disse. Não foi o que aconteceu. O grupo ganhou força com a adesão de cerca de 200 populares e passou a fechar a saída dos ônibus com maior frequência. A polícia teve de intervir pela primeira vez.

Na rua, carros, viaturas e pessoas disputavam um espaço escasso. Em uma das ações, um motorista do ônibus perdeu a paciência e acelerou em cima dos manifestantes. Três pessoas foram jogadas para trás e quase se feriram. Não satisfeitos, os manifestantes fizeram um cordão humano e interditaram a Ouvidor Freire. A polícia mais uma vez interveio, e alguns já estavam armados com rifles. Os manifestantes entoavam gritos de “Fora São José” e “Passe livre quando? Já, já, já!”. Os participantes também xingaram os policiais.

Outros passageiros mostraram-se indignados. Entre vários gritos, uma mulher pediu o fim da ação. “Gente, pelo amor de Deus.” O vendedor Rodinan Ícaro Mendes, 24, morador no Dermínio, precisava pegar o ônibus que seguiria ao bairro Leporace, para buscar seu filho na escola. Com a confusão, perdeu dois ônibus e atrasou-se. “Não sou contra, mas acho que deveria ser uma manifestação pacífica, porque eles estão pensando no direito deles. E com as outras pessoas? Eles não estão nem aí.”

Houve início de confronto entre manifestantes e polícia. O líder comunitário do Jardim Aeroporto, Roberto Carola, chegou a discutir com um dos policiais e partiu para cima. Outros manifestantes ajudaram a separar. Após muitos gritos, vaias e aplausos, o manifesto teve fim às 18h30.
 

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