Cristo é nosso rei


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Esta festa foi instituida por Pio XI em 1925

Opapa dispôs que fosse celebrada no último domingo de outubro. O calendário reformado de 1969 transferiu-a para uma data mais apropriada, o último domingo do tempo comum. Ele é o alfa e o ômega, o mesmo ontem, hoje e sempre. Ele é o Senhor da história, rei dos séculos; seus são os tempos e as épocas. Cristo é o rei universal. Seu reino, porém, não se parece com os que vemos no mundo. Convém estejamos alerta a fim de não dar a esta festa caráter mundano de triunfalismo. O reino de Cristo tem pouco que ver com os muitos impérios e reinos que surgiram e caíram no curso da história, e menos ainda com as atuais superpotências. Cristo não veio estabelecer uma estrutura de poder, e sim um reino eterno e universal, reino de santidade e de graça, de justiça, de amor e de paz.

1ª Leitura: Ezequiel 34
Durante o exílio na Babilônia Ezequiel aparece como o profeta da esperança e porta-voz do Deus libertador, que busca e cuida de seu rebanho e de cada ovelha em particular. Ajuda a descobrir os motivos que levaram o país inteiro ao desastre e à submissão aos babilônios. São as lideranças que, em vez de zelar pelo bem-estar do povo, acabaram desunindo e devorando-o, permitido que se tornasse presa fácil da ganância internacional. No exílio Deus vai cuidar das ovelhas que são o seu povo.
Ezequiel entra como profeta da esperança e porta-voz do Deus libertador. Apresenta a imagem de Deus como pastor, anima o povo a crer em Deus que liberta e salva as vítimas da ganância dos poderosos. Deus vai retirar seu povo da escravidão, reconduzi-lo à terra de onde saiu, cuidando para que a justiça e o direito sejam a base da nova sociedade: “Mas a ovelha gorda, a ovelha forte, eu a vigiarei; farei meu rebanho pastar segundo o direito”. Deus fará justiça entre uma ovelha e outra. O Senhor toma conta de suas ovelhas.

2ª Leitura: 1ª Carta aos Coríntios 15
Paulo, no capítulo 15 da primeira carta aos Coríntios, dedica-se a refletir sobre a verdade da ressurreição, o fundamento da fé cristã. Parte da ressurreição de Cristo, fato que vai além de qualquer dúvida. Assim como a morte entrou no mundo por meio da transgressão de Adão, a ressurreição nos é dada pela fidelidade de Cristo. Sofremos as conseqüências do pecado, mas em Cristo recebemos a graça salvadora. A história da salvação continua até a parúsia. Podemos viver cada momento na perspectiva da vida eterna e nos relacionar de modo fraterno com todas as pessoas e com todas as criaturas.

Evangelho: São Mateus 25.
Na Palestina, quando chega a noite, os pastores costumam separar as ovelhas dos carneiros. Estes, mais resistentes, podem passar a noite no sereno, enquanto para as ovelhas é melhor que permaneçam protegidas do frio e das intempéries. Jesus se serve desta imagem, tirada da vida de todos os dias, para nos comunicar uma doutrina. Qual? A narração do “juízo final” é uma parábola. Foi composta segundo o estilo dos pregadores do templo. A linguagem é a dos rabinos de Israel que estavam habituados a recorrer a imagens dramáticas, quando queriam sacudir os seus ouvintes. Os rabinos tinham certeza de que o tempo que Deus concedia ao homem é um precioso tesouro que não pode ser desperdiçado e, para transmitir esta verdade, apelavam para as figuras.
Quais são os valores sobre os quais o homem pode alicerçar com segurança a sua vida? Não é difícil descobri-los: ocupam metade da parábola! São tão importantes que Jesus, mesmo correndo o risco de ser repetitivo, os repete por quatro vezes. Trata-se das seis obras de misericórdia. A lista das pessoas que devem ser ajudadas; o faminto, quem tem sede, o forasteiro, o nu, o doente e o encarcerado. O que quer ensinar o Mestre ao seu discípulo? Com certeza não é revelar-lhe o que acontecerá no fim do mundo, mas conduzi-lo a refletir. Os valores autênticos indicados por Jesus são diferentes daqueles pelos quais a maioria dos homens perde a cabeça, mas de fato são os que valem aos olhos de Deus.
E Deus como pensa? Jesus o revela para nós com a parábola do pastor, das ovelhas e dos carneiros. Quando para cada homem terminar a sua aventura na terra, quando cada um estiver sozinho com Deus, só uma coisa terá valor para ele: o amor que tiver dado aos irmãos. Qualquer tipo de religiosidade que não conduza ao amor ao irmão é falsa e não tem a ver com o cristianismo. O amor ao irmão é a medida do amor que se tem por Deus.

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br

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