Simbolizados por uma coroa e um manto, os cargos do reinado da comunidade negra são passados de pai para filho ou dentro da mesma família como manda a tradição. O ritual de sucessão é repetido desde a época das senzalas e cumprido à risca em Ibiraci. Inclusive, cada uma dos cinco que compõem o reinado atualmente (rei e rainha congo, rei e rainha perpétua e capitão de moçambique) já tem em mente o parente que no futuro vai substituí-lo.
A nomeação do sucessor ocorre ainda durante o sepultamento do rei ou rainha e a coroação, na Festa de Maio seguinte. Somente em caso da falta de um parente do mesmo sexo ou da não aceitação da função é que o cargo pode ser repassado para alguma pessoa de fora do círculo.
Luci Rodrigues é a rainha conga desde 1989. Herdou o reinado da tia, que não tinha filhas. A antecessora, por coincidência, também havia herdado a coroa de uma tia, também sem filhas.
Honório Barsanulfo Rodrigues carrega a coroa e o manto que herdou do pai que durante 53 anos foi rei congo na cidade. Há 12 anos na função, ele expressa nos gestos a seriedade com que encara o ritual. Durante as apresentações, sejam elas do grupo de congo e moçambique, os reis e rainhas permanecem sérios, em pé no púlpito, de onde acompanham as danças e são reverenciados.
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