O sapateiro Paulo Eduardo Silva Santos, 18, que morreu há uma semana em uma colisão frontal entre sua moto e um Monza na Rodovia Cândido Portinari, era piloto de exibição. O jovem fazia parte da equipe Roda Livre, de Franca, que faz apresentações de Wheeling - modalidade de motociclismo urbana em que os pilotos fazem acrobacias, em locais fechados. Apesar disso, o sapateiro não possuía carteira de habilitação. A família nega que Paulo Eduardo estivesse participando de racha na hora do acidente.
A paixão do rapaz pelas motos começou muito cedo. Segundo o curtumeiro Paulo Cesar dos Santos, 44, pai de Paulo Eduardo, ele ganhou sua primeira moto aos 11 anos, e começou fazendo trilhas com familiares. Aos 15, já participava de competições de motocross. Na mesma época, abriu mão de sua moto de trilhas para comprar uma moto especial para manobras. Começava sua carreira como piloto profissional.
O líder da equipe Roda Livre, Carlos Henrique da Silva, 41, é tio do sapateiro. Segundo Carlos, seu sobrinho era responsável e só fazia apresentações em locais fechados. Por isso, mesmo sem habilitação e sendo menor de idade, pode entrar no grupo. “Nós temos lugar próprio para fazer [as acrobacias]. Somos profissionais e nossas motos são todas legalizadas, não circulam nas ruas. Eu tenho um furgão grande [para transportá-las].”
O ACIDENTE
Na hora do acidente, Paulo Eduardo voltava de um torneio de som, em Cristais Paulista. Em sua garupa, estava a namorada de 15 anos, que sofreu fraturas expostas, e permanece internada na Santa Casa de Franca, sem previsão de alta. Paulo dirigia uma moto emprestada. “Saiu para dar uma volta sem permissão do dono. Pegou a namorada, encontrou uns amigos e resolveu ir a Cristais”, disse o pai.
Os familiares duvidam que o jovem estivesse praticando racha, como alegaram algumas testemunhas. O sapateiro Danilo Tonhatti de Freitas, amigo da vítima, foi um dos primeiros a chegar à cena do acidente. Seu irmão de 19 anos era um dos que acompanhavam Paulo Eduardo. O sapateiro nega que os amigos tenham abandonado o ferido. “Meu irmão me ligou, ele estava até um pouco na frente, voltou, mas, quando eles viram a cena, não tiveram coragem de ficar perto. O Resgate chegou e levou o corpo.”
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