Mãos dadas


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São tantas as pombas nesta praça
A disputar, no chão, as sobras, as migalhas.
Este, o seu destino?
Lá, o horizonte, magnífico e distante,
Convida ao voo.
 

Pombas sem asas, aqui também estamos,
Neste chão, a disputar migalhas...
O horizonte, magnífico e distante,
É desafio.
A escolha está nas mãos.


Pés no asfalto, olhos no alto,
Bebendo terra e regando céus,
Nós, pombas soltas e presas, livres e cingidas,
Saberemos?
E nós, cativas de efêmeros prazeres,
Perdidas, desgarradas pombas,
Poderemos?


Nós, ânsia desmedida do fácil, do físsil, do séssil...
Olhos vendados, pés imantados...
Nós, pesadas pombas
Da eterna busca.
Voaremos?


Nós, olhos, corações e almas,
Nós, braços e sonhadas asas,
Nós Mãos... dadas,
Podemos ser pombas
Da Paz.

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