Dois médicos do Hospital Regional de Franca foram condenados pela morte da paciente Priscilla Stefane Gola, de 19 anos. Pedro Saad Farah e Carla Marchini Dias da Silva receberam a pena de um ano de detenção por homicídio culposo (sem intenção de matar). A pena foi convertida no pagamento de 25 salários mínimos (R$ 13.625) cada um à família da vítima. A condenação foi em primeira ins-tância e cabe recurso da decisão.
Priscilla, portadora de deficiência mental, foi internada no Hospital Regional no dia 17 de março do ano passado, uma quarta-feira, para operar e retirar uma hérnia de hiato que estava causando vômitos e a impedia de se alimentar normalmente. Segundo sua mãe, Jucélia Arroyo Soares Facco, ela estava saudável e bem disposta. “Ela já tinha feito os exames pré-operatórios e estava tudo bem. Achamos que voltaríamos logo para casa.”
A princípio, a cirurgia estava agendada para a sexta-feira, mas, por conta de problemas na agenda do médico gastroenterologista, acabou transferida para o fim de semana. Na tarde do sábado, o cirurgião vascular e angiologista Pedro Saad Farah foi chamado para realizar a colocação de um cateter intravenoso para que Priscilla pudesse receber medicamentos.
Segundo a sentença assinada pelo juiz Wagner Carvalho Lima, da 2ª Vara Criminal de Franca, ao tentar fazer a instalação do cateter na veia subclávia, Pedro teria perfurado os dois pulmões de Priscilla. “De acordo com toda a prova analisada, verifica-se que a cateterização subclavial é procedimento arriscado que merece especial atenção do profissional, sendo aconselhável realizar depois um exame de raio-x a fim de verificar a correta posição do cateter e observar se existe edema pulmonar que poderia indicar a perfuração da cavidade torácica, e indicar a drenagem”, afirma o juiz na sentença.
“As lesões vieram a ser a causa da morte porque o réu deixou de adotar os procedimentos padrões para a investigação de pneumotórax (raio-X) que levariam ao diagnóstico do problema e a uma intervenção salvadora”, completa Lima.
Com as perfurações, o estado de saúde de Priscilla foi se agravando. Segundo sua mãe, por volta das 20 horas, ela teve um desmaio. A médica de plantão, Carla Marchini Dias, compareceu ao quarto e, com a colocação de um aparelho de oxigênio, a estabilizou. Mas, de acordo com a sentença, “mesmo com os exames de ausculta e com os evidentes sinais de falta de ar por parte de Priscilla, não identificou a perfuração”.
De acordo com a sentença, o aparelho de oxigênio foi retirado de meia a uma hora depois, e a jovem voltou a piorar. Segundo sua mãe, a médica foi chamada nove vezes ao quarto, mas não compareceu. “Os enfermeiros disseram que ela estava dormindo e não podiam acordá-la. Eu fiquei desesperada. No meio da madrugada, percebi a Priscilla agonizando. Então, comecei a gritar desesperada. Foi quando um médico da UTI ouviu meus gritos e veio socorrê-la. Mas já era tarde. Ela foi levada para a UTI e morreu na manhã da segunda-feira.”
Na sentença, o juiz considerou negligência por parte da médica. “Ela sabia do acidente com a colocação do cateter pois estava anotado no prontuário, mas ainda assim, ordenou a retirada da máquina de oxigênio e não pediu raio-X. Apenas receitou a colocação de um supositório”. E continua. “A omissão dos réus foi fundamental para a morte da paciente.”
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