Abusos geram confusão no trânsito da Ouvidor Freire


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BAGUNÇA - Pessoas atravessam trecho da Rua Ouvidor Freire fora da faixa de pedestres. Veículos que chegam da Rua General Telles (ao fundo) não têm visão do movimento na Ouvidor Freire, em frente ao Terminal Central de Ônibus
BAGUNÇA - Pessoas atravessam trecho da Rua Ouvidor Freire fora da faixa de pedestres. Veículos que chegam da Rua General Telles (ao fundo) não têm visão do movimento na Ouvidor Freire, em frente ao Terminal Central de Ônibus

Bastam poucos minutos de observação no trecho da Rua Ouvidor Freire entre as Ruas General Carneiro e Marechal Deodoro para flagrar o desrespeito por parte de pedestres e motoristas. No ponto, em frente ao Terminal de Ônibus “Ayrton Senna”, os abusos geram confusão no trânsito e aumentam os riscos de acidentes. O movimento é constante.

Além de carros e motos, a grande circulação de pessoas e ônibus complica a situação. As faixas de pedestres localizadas em dois trechos para acesso às plataformas de embarque dos ônibus e o calçadão do Centro praticamente não são usadas. Na tarde desta quinta-feira, o Comércio contou em três minutos 27 pessoas atravessando o trecho e apenas 14 sobre a faixa de pedestres. Aliás, a maioria dos veículos não dá preferência a eles. Outras irregularidades foram flagradas. Motoristas dos veículos e motos não acionam setas para indicar a direção; os ônibus avançam a rua na frente dos carros e costumam parar fora das plataformas para embarque de passageiros. Os motoristas também estacionam os carros no local para passageiros desceram ou entrarem. Ontem duas mulheres pediram para a amiga parada em local proibido abrir o porta-malas para guardarem pacotes, ignorando o trânsito intenso naquele trecho.

As pessoas que sobem a Rua General Telles e viram na Ouvidor Freire não têm visão para saber se há pedestres atravessando a via. Buzinas e brecadas são comuns. O taxista Antônio César Mendes, 47, atua no ponto da Praça David Ewbank há 26 anos. Todos os dias, nos momentos que não está em corrida, testemunha os abusos no local. Ele disse que, com o aumento da frota e população, o perigo tem se intensificado. “Os motoristas e pedestres são muito desatentos. Quem está a pé não costuma ter atenção e quem está no carro é sem educação.”

Antônio se lembrou de dois acidentes que presenciou no trecho. “Há alguns anos, um senhor e uma senhora foram atropelados aqui. A mulher acabou morrendo dias depois. Já quebramos a cabeça para encontrar uma solução. É uma questão de engenharia aqui no Centro, mas uma mudança de comportamento das pessoas poderia reduzir os riscos.”

A comerciante Quitéria Batista dos Santos, 56, vende tapioca na praça em frente ao terminal e disse que além dos dois atropelamentos presenciou acidentes com motociclistas. “Já vi dois ou três motoqueiros enganchados embaixo dos ônibus. É Deus que bota a mão aí na frente, se não já teria morrido meio mundo.”

A cerimonialista Mirela de Paula, 31, critica o trânsito na região central de forma geral e classifica esta parte da Ouvidor Freire como caótica. “Os pedestres invadem as ruas e há muitos ônibus. Acredito que se o policiamento fosse mais firme nesse espaço aumentaria a segurança de nós, motoristas, e de quem está a pé.”

O secretário de Segurança e Cidadania, Sérgio Buranelli, sugere como melhor medida para reduzir os problemas a mudança de comportamento. “Os pedestres devem atravessar na faixa e os motoristas dar preferência a eles neste espaço. Os veículos devem parar até que atravessem a via.”

O secretário disse que irá avaliar o trânsito no Centro com a abertura das lojas em horário especial de Natal e, se houver necessidade, irá acionar a Polícia Militar para monitorar o fluxo neste ponto da Ouvidor Freire.

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