A polêmica do viaduto


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É possível inferir que administrar nunca foi uma tarefa das mais fáceis. Nos dias de hoje, porém, tornou-se certamente uma das mais difíceis. A complexidade do mundo moderno passou a exigir dos gestores muita disciplina, visão e perseverança, além de uma boa dose de sorte. Atualmente, quem administra não pode limitar-se ao óbvio, muito menos ao tempo presente, seja em uma organização pública ou privada. Precisa estar atento às turbulências e preparado para antever os problemas. Em poucas palavras, precisa antecipar os cenários e planejar as estratégias que o levarão a alcançar os objetivos traçados.

O planejamento, porém, pressupõe um olhar para o futuro. A partir de uma análise do ambiente socioeconômico, cultural e tecnológico do mundo atual, os bons gestores buscam vislumbrar tendências. Baseando-se em números, pesquisas e no próprio feeling, apostam em determinados projetos, arriscando estratégias e investimentos que só se ‘explicarão’ tempos depois.

Nesse sentido, fica difícil julgar muitas das ações propostas pelos gestores atuais, principalmente quando elas fogem do senso comum. Como ninguém sabe sobre o futuro, sobram apenas as opiniões, os ‘achismos’ e as críticas. Como dizia o comandante Rolim, fundador da TAM, a diferença entre o gênio e o louco é o tempo.

No caso específico do projeto do viaduto de Franca, podemos dizer que há por parte do poder público uma aposta em um determinado ponto futuro e que conta com 76% de aprovação dos francanos, conforme pesquisa realizada pelo instituto Datalink. Como vários outros projetos, só o futuro poderá confirmá-lo como sucesso ou fiasco. O problema é que nesse caso o projeto está ligado à empresa pública. Para além do impacto nos bolsos e na vida dos cidadãos contribuintes, pesam também os aspectos ideológicos e, infelizmente, políticos partidários.

É aí que está o problema. No fundo, parece que a discussão está girando ao redor do autor do projeto, e não no projeto, em si mesmo. Pelo que se percebe na atitude dos vereadores, fica evidente que a negativa está mais ligada a um problema com o governo de plantão do que com a obra, em toda a sua essência. Até mesmo a participação da opinião pública parece endossar essa inútil polêmica.

Talvez seja o momento de todos colocarem a cabeça no lugar e pensarmos tão somente na cidade. Seja um viaduto ou um semáforo inteligente, ou até mesmo outro projeto ainda não imaginado, não se pode apostar em nenhum deles sem uma análise aprofundada em termos de custos, impacto ambiental e retorno de investimento.

Tendo em vista os graves problemas que presenciamos em nosso cotidiano e analisando os seguidos recordes de venda das montadoras, pode-se imaginar que alguma coisa precisará ser feita para minimizar os problemas do trânsito, uma vez que ainda não inventaram ruas inteligentes, que aumentam seu tamanho assim que percebem o aumento do número de veículos e pedestres.

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