Pela 3ª vez


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Câmara tenta hoje, de novo, aprovar reforma administrativa

A Câmara tentará pela terceira vez, hoje, aprovar um pacote formado por quatro projetos que permitem fazer uma reforma administrativa interna. Estão previstas a contratação de novos funcionários por meio de concurso público, gratificações progressivas, plano de carreira e vale-alimentação. A proposta já foi levada a plenário duas vezes e adiada por enfrentar resistência de parte dos parlamentares.

Os vereadores gostam de dizer que a Câmara tem uma estrutura enxuta. São 17 funcionários comissionados e 14 permanentes. A reforma administrativa é defendida como uma necessidade para evitar as constantes saídas de servidores que partem em busca de serviços com melhores salários e ainda suprir as lacunas deixadas pelos aposentados. “Se a reforma não for feita, teremos sérios problemas em curto espaço de tempo, principalmente no departamento financeiro”, disse o presidente Marco Garcia (PPS).

O projeto de reforma foi contratado por R$ 70 mil junto ao Ibam (Instituto Brasileiro de Administração Municipal). Um dos artigos prevê a criação de 14 cargos que serão providos mediante concurso público. Seriam abertas vagas para analista legislativo, analista multimídia, telefonista, motorista e oficial legislativo. A reforma também prevê a concessão de vale-alimentação de R$ 600, pagamento de gratificação de 30% para o servidor indicado para funções de direção, chefia ou assessoramento. Já o servidor que fizer cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado vai receber gratificações de 20%, 25% e 35% respectivamente. O interessado poderá obter licença remunerada de até dois anos para fazer os cursos.

Nas discussões anteriores, a bancada do PSB defendeu o adiamento sob a justificativa de que seria necessário fazer um levantamento do impacto financeiro que a reforma causará ao longo da carreira do servidor. “Não podemos criar mais marajás aqui dentro, não”, disse Válter Gomes, se referindo a diretores da Câmara que chegam a ganhar entre R$ 8 mil e R$ 12 mil.

Diante da posição contrária dos vereadores em aprovar os benefícios, dois servidores que operam o sistema de som, imagem e o painel eletrônico se recusaram, na semana passada, a continuarem fazendo o serviço pelo qual não foram contratados. A greve atrasou em duas horas a abertura da sessão.

‘INCOERÊNCIA’
O presidente Marco Garcia não acredita em novo adiamento e espera pôr fim às discussões nesta quinta-feira. Para isso, levará técnicos do Ibam (Instituto Brasileiro de Administração Municipal) ao plenário para tirar eventuais dúvidas dos vereadores. “A reforma não é uma questão de luxo. É uma necessidade. Os vereadores tiveram tempo para apresentar emendas e não podemos mais ficar adiando. Vou colocar em votação. Se for rejeitado, encaminharei ao Ministério Público. É muito incoerente os vereadores aprovarem a contratação do Ibam por R$ 70 mil e, depois, votarem contra.”

HAPPY BIRTHDAY
O deputado Gilson de Souza, que ainda não decidiu se tentará a prefeitura no ano que vem, completou 56 anos ontem. Por causa de compromissos na Assembleia Legislativa, não houve comemoração em família. A festinha deve acontecer no fim de semana. Ao contrário de boa parte de companheiros de partido, Gilson decidiu ficar no DEM. Sua intenção é ocupar o espaço deixado por Dárcy Vera, prefeita de Ribeirão Preto, que migrou para o PSD de Gilberto Kassab.

SUCESSÃO NA CÂMARA
Enquanto a escolha do prefeito não chega, outra eleição está movimentando os corredores da Câmara. No próximo dia 5 os vereadores vão se reunir para escolher o novo presidente. Nome preferido do prefeito, Marco Garcia (PPS) terá dificuldades para se manter no cargo. Vanderlei Tristão (PTB) surge, no momento, como favorito. Válter Gomes (PSB) corre por fora. Quem conhece os bastidores do Legislativo francano sabe que as reviravoltas de última hora, esquecidas nos últimos cinco anos, podem voltar a acontecer.

INTERFERÊNCIA DO EXECUTIVO
Está errado quem diz que o prefeito não interfere na Câmara. Foi só Sidnei Rocha zoar o vereador Laercinho (PP) por causa do excesso de poeira em seu carro, que o possante amanheceu limpinho no dia seguinte.

DEMAGOGIA PURA
Na sessão passada, durante a votação que barrou a construção do viaduto, foi emocionante ouvir os vereadores contrários dizerem que, se estava sobrando dinheiro, os recursos deveriam ser investidos em áreas prioritárias, como construção de pavilhão de internação no Hospital do Câncer e realização de cirurgias eletivas. Quando aumentaram os próprios salários e tentaram ampliar o número de vagas na Câmara, as tais prioridades foram ignoradas.

VISITINHA DE CORTESIA
Falando em viaduto, tão logo foi encerrada a votação, o deputado Ubiali (PSB), que sugeriu a construção de um túnel no local, chegou à Câmara curioso em saber se o projeto havia sido aprovado ou rejeitado. Gostou de saber do resultado.

COMO ASSIM?
O vereador Paulo Zamikhowsky (PSB), o mais magoado com as críticas feitas pelo prefeito por causa da rejeição ao projeto do viaduto, insistiu de todas as maneiras, na reunião passada, para que fosse apresentada uma alternativa ao viaduto proposto por Sidnei Rocha. “Se o semáforo inteligente for o problema, eu dispenso. Põe o burro mesmo.”

ELEFANTE BRANCO
Foram investidos cerca de R$ 150 mil na construção de um velório entre os Jardins Paulistano e Brasilândia. Localizada em local considerado inseguro e de difícil acesso, a obra está pronta há um bom tempo, mas ainda não foi entregue à população. Ninguém quer inaugurar.

Edson Arantes
Jornalista – edson@comerciodafranca.com.br

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