A crescente metropolização em São Paulo é um dos temas da Marcha Paulista 2011, evento que reunirá o governo estadual e prefeituras na segunda e terça-feira próximas, dias 21 e 22, na Assembleia Legislativa
Na metropolização era um fenômeno restrito à Capital até os anos 70. Com a descentralização industrial e o êxodo rural brasileiro, surgiram diversos polos regionais no Estado, dois deles já reconhecidos oficialmente como regiões metropolitanas: Baixada Santista e Campinas. São José dos Campos, Sorocaba e Jundiaí também emergem como regiões metropolitanas naturais.
E na mesma proporção em que ocorre a interiorização do crescimento, diversas cidades assumem o ônus de serem centros regionais e passam a conviver com problemas típicos de metrópoles, como o trânsito complicado. É o caso de São José do Rio Preto, Bauru, Araraquara, Limeira e Piracicaba, entre outras.
Além disso, com o crescimento de pequenas cidades no entorno das metrópoles ocorre o processo de conurbação, o que exige planejamento diferenciado nas políticas públicas estaduais e municipais. Novas demandas surgem em áreas como transportes, saúde pública e saneamento básico.
Ação local
A articulação de políticas públicas e das ações dos governos são mecanismos fundamentais para o enfrentamento de problemas nas grandes e médias concentrações urbanas do Estado segundo a avaliação da diretora de Planejamento da Emplasa (Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano), Rovena Maria Carvalho de Negreiros, uma das coordenadoras de estudo sobre redes urbanas e regionalização, realizado pelo governo estadual e a Fundação Seade. Segundo ela, os problemas devem ser tratados de forma articulada. “Não dá para pensar só em habitação, sem levar em conta o transporte, a saúde e a geração de empregos.” A palavra-chave é articulação de políticas. “A maior concentração de empregos e a mão de obra qualificada nessas regiões exigem uma expansão dos ensinos técnico e superior. O déficit habitacional também é maior nas regiões metropolitanas”, afirma Rovena.
Segurança
Serão discutidas também na Marcha Paulista as estratégias adotadas pelo governo estadual para o combate à criminalidade. Entre os convidados estão o secretário estadual da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto e o deputado estadual Vinicius Camarinha (PSB). Em setembro, a Secretaria de Segurança Pública divulgou que, pelo nono mês consecutivo, a taxa de homicídios no Estado de São Paulo ficou abaixo de dez casos para cada grupo de 100 mil habitantes. Foram registrados 3.056 homicídios dolosos, 162 a menos que no mesmo período do ano passado, quando houve 3.128 casos – redução de 5,03%. Já a taxa de latrocínios (roubo seguido de morte) continua alta, conforme avaliação da SSP. De janeiro a setembro, foram 212 casos, ante 203 registrados no mesmo período em 2010.
O que é
A Marcha Paulista em Defesa dos Municípios 2011 é uma mobilização suprapartidária, que defende o aprofundamento do diálogo entre as prefeituras e o governo estadual para a solução conjunta dos problemas locais. Na terça de manhã, serão abordados as consequencias do processo de metropolização das cidades paulistas e os mecanismos que podem ser adotados para melhorar a administração dessas regiões; e os problemas vivenciados pelos municípios em relação à segurança e as estratégias do Estado no combate à criminalidade. À tarde, serão debatidos os mecanismos para melhorar a relação entre os governos municipais e a Cetesb no que diz respeito ao licenciamento ambiental; e a relação entre os governos municipais, o Ministério Público paulista e a Justiça paulista. A programação prossegue até as 18h do dia 22, quando aprovada a Carta das Cidades. A organização da Marcha Paulista em Defesa dos Municípios 2011 é da Frente Nacional de Prefeitos (FNP) e da Associação Brasileira de Municípios (ABM). Estão à frente da mobilização os prefeitos de Várzea Paulista, Eduardo Tadeu Pereira (PT), de Osasco, Emidio de Souza (PT), de Ribeirão Preto, Dárcy Vera (DEM) e de Garça, Cornélio Marcondes (PR).
Dois anos com os leitores
A coluna Contexto Paulista completou dois anos na última terça-feira, 15. Foi lançada no dia 15 de novembro de 2009 na Rede APJ (Associação Paulista de Jornais), composta por 15 entre os maiores jornais do Interior Paulista. Integram a APJ os jornais Comércio da Franca, Cruzeiro do Sul (Sorocaba), Diário da Região (S. José do Rio Preto), Diário do Grande ABC (Santo André), Folha da Região (Araçatuba), Jornal da Cidade (Bauru), Jornal de Jundiaí, Jornal de Limeira, Jornal de Piracicaba, O Diário (Mogi das Cruzes), O Imparcial (Presidente Prudente), O Liberal (Americana), O Vale (S. José dos Campos), O Vale (Taubaté) e Tribuna Impressa (Araraquara). Os 15 jornais somam uma tiragem de cerca de 340 mil exemplares aos domingos e 250 mil em dias de semana, o que representa a maior rede do segmento de jornalismo impresso regional do país.
Wilson Marini
Jornalista – wmarini@apj.inf.br
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