É triste, difícil de explicar. Nossa escola, já tão abandonada pelo poder público, e talvez até mesmo por toda a sociedade, agora também está servindo ao exercício selvagem de vândalos que com certeza não têm a mínima noção do que seja viver em sociedade, ou do que venha ser o interesse público.
Mesmo que consideremos os graves problemas sociais que ainda enfrentamos, ou a desigual distribuição de renda que permeia nossa sociedade e que gera conflitos e significativas diferenças entre classes sociais, nada justifica o que aconteceu no Caic do bairro City Petrópolis.
Mas como aconteceu, talvez seja oportuno refletir não apenas sobre essa ação isolada, mas também sobre a existência e a importância da própria escola para a sociedade contemporânea. A despeito da destruição de livros, computadores e outros equipamentos que serviam não apenas aos alunos, mas também a toda a comunidade, a própria invasão, em si mesma, já nos permite pensar que a escola atual não ocupa uma posição de destaque na sociedade contemporânea.
Vejamos. Os processos educativos são intencionalmente construídos. Obedecem as demandas do conjunto político da sociedade e as características do momento histórico em que se concretiza. Nesse sentido, a cada etapa da evolução humana corresponde sempre um ou vários projetos pedagógicos. Se as comunidades primitivas utilizavam-se dos próprios exemplos das práticas cotidianas para educar seus jovens e crianças, o mundo capitalista que começou a surgir ainda no século XVI, em função de sua maior complexidade, precisou organizar um espaço específico para isso, com processos pedagógicos mais elaborados, que levassem em consideração a diferença de idade entre as crianças e as necessidades da nova ordem econômica mundial.
Dessa forma, nasceu a escola, um espaço público por excelência, um espaço de transmissão de costumes, cultura e conhecimentos. Um lugar em que toda a sociedade busca reproduzir, a despeito dos conflitos que a permeiam e que muitas vezes não são ali considerados.
Uma escola deveria, portanto, ser um espaço de extrema importância para a sociedade que a engendra. Uma importância que deveria expressar-se no conforto e na beleza de sua arquitetura, bem como nos investimentos feitos em seus laboratórios, equipamentos e funcionários, tornando-a um espaço de destaque na comunidade em que se instala.
Se isso não está acontecendo, é porque alguma coisa está errada. Se as escolas atuais são feias e mal construídas. Se não há investimentos significativos em suas estruturas e instalações e se seus funcionários são mal remunerados é porque talvez ela não tenha mais uma grande importância para a sociedade que a criou.
Nesse sentido, é preciso repensar nossos processos educativos. Se formos continuar com as escolas, seria bom recuperarmos sua dignidade. Isso talvez inspirasse mais respeito e atenção de toda a comunidade.
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