A moda é brasileira


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O britânico Nathan Wybur é conhecido pela série de retratos de celebridades, como David Beckham (à direita), feitas com geleia em painéis de torradas
O britânico Nathan Wybur é conhecido pela série de retratos de celebridades, como David Beckham (à direita), feitas com geleia em painéis de torradas

O Brasil está na moda. Enfim, despertamos real interesse mundo afora, não aquela coisa meio adolescente de exotismo e liberdade, mas coisa de adulto mesmo. Ao que parece, somos agora um país levado a sério, cuja cultura, povo, nação passam a interessar aos outros. Quem sabe os americanos vão, enfim, saber que Buenos Aires não é a nossa capital...

E a culinária brasileira não ficou de fora disso, já que contamos com um movimento em franca expansão da exploração de ingredientes nativos aplicados com técnica e sofisticação. Arriscaria dizer que nos encaixamos bem no perfil da moda: sustentabilidade, produtos e produtores locais, valorização das comunidades locais, francamente, uma boa moda.

E é por essas e outras que nossa culinária foi escolhida para ser ho-menageada naquele que vem a ser um dos mais importantes eventos gastronômicos do mundo: o Gastro-nomika, que será realizado na Espanha de 20 a 23 deste mês. Outras duas culinárias também serão reverenciadas: a mexicana e a peruana. Algo absolutamente maravi-lhoso, ver nossa cozinha ao lado da mexicana, que é tão tradicional e conhecida no mundo todo.

Foram escolhidos os chefes mais prestigiados do país, que trabalham diretamente com essa cozinha. São eles: o lógico Alex Atala, do prestigiado D.O.M., de São Paulo, 7º me-lhor restaurante do mundo; Roberta Sudbrack, dona de restaurante homônimo no Rio, Rodrigo Oliveira, o “Mocotó”, e Helena Rizzo.

Roberta foi a chef do Palácio da Alvorada na gestão de Fernando Henrique Cardoso. Ela foi responsável por salvar a vida dos convidados do presidente, pois transformou a sofrível e famosa comida ruim do Alvorada em algo digno de nota. De lá pra cá, fez carreira, abriu seu canto, ministra cursos e faz de um simples quiabo uma obra de arte.

"Mocotó", quase menino, é o proprietário do restaurante Mocotó e fez por lá uma verdadeira revolução. O restaurante existia desde 1973. Era um misto de armazém e bar de produtos nordestinos, onde seu pai, o se-nhor Zé Almeida, já brilhava servindo o caldo de mocotó. E o menino apenas ajudava o pai. Até que num belo dia, do ano de 2004, o pai foi tirar férias no Nordeste e o filho, decidido a incrementar o negócio da família, operou reformas, aumentou o cardápio, tudo sem tirar a cara informal e nordestina do lugar. O tal restaurante e cachaçaria em São Paulo é um sucesso estrondoso, está sempre lotado e hoje é referência gastronômica no país. E o rapaz? Recentemente, foi eleito pela “Época” como uma das 100 pessoas mais importantes do país.

Bem ao contrário do restaurante Mocotó, a bela Helena Rizzo, mais o maridão, chef espanhol, comandam o descoladíssimo restaurante Maní, também em São Paulo, cuja sócia é outra não menos bela, a Fernanda Lima. Com todo esse charme por metro quadrado, o restaurante é um sucesso. Dizem que chegam a servir 300 refeições por dia! E o local é pequeno. Mas, devo ser justa, a tal chef modelo é muito respeitada pelo que cozinha, pelo que cria.

Com todos esses chefs aí, o nosso guizado estará muito bem representado lá fora, pois, eles são chefs inquietos, pesquisadores que estão mudando a cara da nossa comida, misturando o norte com o sul, São Paulo com o Nordeste, Minas com o Rio, aliás, exatamente como nós brasileiros somos! Afinal, está aí o fino da nossa bossa: a mistura.


A dica da semana

Duas lembranças, altamente pessoais, que sempre me ocorrem quando se fala em "saber cozinhar" são massas e pães. Sempre desejei fazê-los com maestria para ser considerada uma cozinheira de verdade. Falarei um pouco hoje sobre massa.

Fazer massa é simples, mas não é fácil. Existe receita? Não, só um ponto de partida: 1 ovo grande e 1 1/2 xícara de chá de farinha rende, em média, 350 g de massa. Mas existe uma série de porme-nores: se preferir massa mais seca (grano duro), substitua 20% da farinha por semolina de trigo; se for fazer massa recheada (dobrada), acrescente 2 co-lheres de sopa de leite; se não for necessário elasticidade (massa tipo espaguete), permita-se usar apenas gemas.

Depois de escolher a receita, faça um vulcão com farinha escolhida, no centro ponha os líquidos, vá rodando o dedo até que farinha seja quase toda puxada para o centro. Verifique se há umidade (enfie o dedão no massa, este deve sair limpo). Se houver, ponha mais farinha; se não, comece a sovar e só pare quando ficar macia como a pele de um bebê. Deixe descansar na geladeira, envolta em PVC por meia hora. Depois é só abrir no cilindro ou na mão (meu conselho é usar o cilindro) e dar o formato que desejar.

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