O ranking de desenvolvimento municipal elaborado pela Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) colocando Franca na segunda pior colocação entre as cidades paulistas com mais de 200 mil habitantes, é muito preocupante.
Entre as tentativas de explicação, a que trata dos indicadores de emprego e renda é lamentável. Realmente estamos (e sempre estivemos) abaixo da média estadual. Nossos salários, influenciados pela indústria de calçados, sempre foram baixos. Acredito que esse fato provocou um atraso substancial na vida cultural da cidade.
A função de sapateiro sempre foi vista como de baixa qualificação e, portanto, desvalorizada no aspecto salarial. Hoje, Franca carece de mão de obra para o setor, pois o salário não atrai a juventude que vislumbra dezenas de outras oportunidades de trabalho com mais valor agregado, tanto salarial quanto intelectual. A realidade de baixos salários no setor calçadista acabou por influenciar os demais setores que sempre foram coadjuvantes na economia local. Ai está, aliás, problema que poucos querem discutir. Não há, atualmente, efetiva sinergia entre poder público, iniciativa privada e sociedade no tocante ao desenvolvimento socioeconômico local. O governo municipal atual se acomodou com a falsa premissa de que a indústria de calçados local resolveria nossos problemas de crescimento e que seria sempre pujante e perene.
Pensávamos diferente; Quando fui vice-prefeito e Secretário de Desenvolvimento Econômico (1997-2000), executei projetos com o objetivo de criar a diversidade e de mobilizar a sociedade para discutir o futuro de Franca. Criamos o Fórum de Desenvolvimento Econômico, conselhos municipais de setores econômicos, realizamos o Fórum de Desenvolvimento Econômico e Social, criamos o Banco do Povo para financiar pequenos empreendimentos, criamos a Incubadora de Empresas para capacitar futuros empreendedores locais, realizamos encontros sobre Turismo Regional, criamos o projeto da ida coletiva dos pequenos calçadistas à Francal, criamos lei de incentivo à instalação de novas indústrias, expandimos o Distrito Industrial favorecendo pequenas empresas, criamos a Fundação Experimental Café ‘Alta Mogiana’ (aliás, por onde ela anda?), criamos o Programa de Incentivo à Apicultura, à Piscicultura, reerguemos a Expoagro como espaço técnico agrícola regional, enfim, trabalhamos no sentido de diversificar as oportunidades em Franca e estabelecer uma relação entre o poder público e a iniciativa privada no trato da econômica local.
Infelizmente, o atual Prefeito apenas deu continuidade a alguns desses projetos de forma mecânica e acrítica e não aproveitou seus oito anos para, pelo menos, iniciar uma diversificação econômica. Não se movimentou para trazer cursos modernos que poderiam garantir a formação de uma mão de obra mais qualificada e sintonizada com as tendências econômicas atuais. Infelizmente ninguém disse a ele (ou ele não quis ouvir) que só recapear e pintar as ruas não é suficiente para atrair novos investimentos. É necessário muito mais. O próximo prefeito terá que se movimentar, intensamente, para colocar Franca nos trilhos modernos do desenvolvimento econômico.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário
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