Santa Casa e municípios da região ‘lavam roupa suja’ durante reunião


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‘ROUPA SUJA’ - Fernando Bueno, ao lado de Sérgio Chicote, ressaltou ontem que o momento era de esclarecimentos
‘ROUPA SUJA’ - Fernando Bueno, ao lado de Sérgio Chicote, ressaltou ontem que o momento era de esclarecimentos

Representantes de 15 municípios, dos 22 que compõem a região do DRS-8 (Departamento Regional de Saúde), conheceram na tarde de ontem, no Escritório Regional do Estado, a atual situação da Santa Casa de Franca. Segundo o superintendente do complexo hospitalar, Fernando Bueno, a conjuntura é de “caos” e o hospital beira a “falência”. Bueno disse que, de janeiro a agosto deste ano, o déficit mensal superava os R$ 2 milhões. Até então, a dívida da instituição era de R$ 42 milhões. Para o superintendente, a reunião era o momento de “lavar a roupa suja”.

Apesar dos números, o encontro entre a Santa Casa, o Comam (Consórcio de Municípios da Alta Mogiana) e o Cosems/SP (Conselho de Secretarias Municipais de Saúde) gerou apenas desânimo e nenhuma solução prática. No centro das discussões, ficaram o presidente do Comam, Itamar Romualdo, o secretário do Comam, Edson Ávallos, o diretor do Cosems, Sérgio Chicote, e Fernando Bueno.

As conversas começaram com a reclamação de Chicote sobre a falta de informação. Segundo ele, os secretários de Saúde da região não foram avisados sobre o corte nos atendimentos e da real situação financeira da Santa Casa. “É lógico que as dificuldades são muitas dos dois lados, tanto do DRS quanto do prestador, mas o que nós estamos tentando fazer aqui é estabelecer um diálogo transparente.”

Fernando Bueno disse que a reunião era o momento de “lavar a roupa suja”, se referindo às responsabilidades que cada município e o Estado têm. “Está na hora de cada um ser responsável pela sua obrigação. Cabe a nós trabalharmos direito e cumprirmos nossa obrigação. É obrigação dos gestores do SUS o financiamento. É obrigação dos municípios o encaminhamento adequado das pessoas. Todo mundo quer uma solução prática, e quem está estruturado hoje na região é a Santa Casa de Franca, então todo mundo quer mandar tudo para cá.”

A direção da Santa Casa apresentou planilhas com números das finanças do hospital. Franca atende 56% dos pacientes que passam pela rede pública da região. De acordo com os dados, a média mensal de cirurgias eletivas, de janeiro a agosto de 2011, é de 586. O teto de atendimento da Santa Casa é de 222 cirurgias por mês. Ainda segundo as planilhas apresentadas, o reajuste feito nos valores repassados pelo SUS nos últimos anos foi de 57,30%, enquanto a inflação dos hospitais cresceu 503,54%.

Em junho, a Santa Casa cancelou as consultas especializadas, cirurgias eletivas e, em outubro, chegou a devolver aos municípios o material, como fezes, sangue e urina, para exames laboratoriais. O risco, agora, é de cortes nas urgências e emergências. “Nós não temos como manter, como tratar. Nós fazemos de tudo para que nunca aconteça, mas nós estamos sendo cada dia mais asfixiados”, disse Bueno. Agora, as negociações estão nas mãos do Comam, que recolheu as demandas de exames laboratoriais de cada município para apresentar ao Estado. Para Itamar Romualdo, os secretários de Saúde devem manter-se otimistas. “Este desânimo todo mundo percebeu, mas não acredito nisso, porque aqui todo mundo tem muita energia para continuar brigando para melhorar a saúde pública da nossa região.” Um encontro entre Edson Ávallos e Adriana Ruzzene, diretora do DRS-8, foi realizado no fim da tarde de ontem, porém, nada novo foi definido. Ela disse que já foi solicitado um aumento de teto à Secretaria de Saúde do Estado. Uma reunião entre Comam e secretaria está marcada para o dia 17.
 

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