Solução caseira


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O Brasil é um país de extremas desigualdades. Não apenas no que tange a divisão das riquezas, mas também no que diz respeito à distribuição de água, de coleta de esgoto, de manejo de resíduos sólidos e de águas pluviais. Apesar dos avanços ocorridos no país entre 2000 e 2008, com aumento do número de municípios cobertos pelo saneamento básico em todas as regiões do Brasil, conforme aponta o Atlas de Saneamento 2011, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), ainda temos muito que caminhar.

Se melhoramos bastante em relação ao manejo de resíduos sólidos e de águas pluviais e no abastecimento de água, ainda deixamos muito a desejar em relação à coleta e tratamento do esgoto. De acordo com o Atlas, somente 55,2% de nossos municípios são atendidos por esses serviços.

Esses dados, no entanto, para além dos problemas que aponta, mostra também uma característica sui generis de nosso país. Ao mesmo tempo, nos mostramos incapazes de literalmente ‘limpar nossa sujeira’, mas conseguimos exportar para outros países nosso know-how em como fazê-lo. Para ficar só num exemplo caseiro, é fácil mostrar que isso acontece até aqui em nossa cidade. A Sabesp Franca é uma referência nacional e internacional quando se trata de saneamento básico. Em função disso, anualmente a Sabesp de Franca realiza o Curso Internacional de Técnicas em Tratamento de Esgotos Domésticos. Com financiamento do governo japonês, o curso possibilita a troca de experiências e certifica vários técnicos brasileiros e de outros países. Não é demais lembrar que recentemente, em sua 12ª edição, a Sabesp de Franca certificou 31 profissionais, entre brasileiros e estrangeiros. Havia peruanos, costarriquenhos, paraguaios e angolanos. Novamente, todos ficaram admirados com o que viram, uma vez que não é fácil encontrar em países em desenvolvimento uma cidade do porte de Franca com tamanha competência em termos de saneamento básico.

Se nos aprofundarmos um pouco mais nessa estranha dicotomia, vamos perceber que o problema do saneamento básico no Brasil pode caminhar para uma solução talvez mais rápida e eficiente do que o que vem se verificando nos últimos anos. Sabemos como fazer, temos tecnologia para isso, ensinamos os outros, mas não aplicamos esse conhecimento em todo o nosso território. Sem querer demonstrar um convencimento ingênuo, mas fica a pergunta, não seria uma ideia possível o governo ‘exportar’ esse conhecimento em termos de saneamento básico para outras partes do Brasil carentes desse tipo de informação? Assim como em Franca, deve haver outros lugares com resultados eficientes nessa área. Seria interessante usar esse know how de uma forma mais intensa e planejada. Mesmo que isso não barateie o investimento necessário, talvez pudesse pelo menos agilizar o processo e melhorar os índices apresentados. Não é, claro, tarefa simples, mas será que já se pensou nisso?

Para quem quer acento no Conselho de Segurança da ONU, já está mais que na hora de sanear basicamente 100% de suas cidades.

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