Empresários de 5 países declaram guerra à invasão do calçado chinês


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PRÁTICA ILEGAL - Contêiner chinês no porto Cacaupe-mi, no Paraguai: país sul-americano é usado pela China para despejar ilegalmente 5 milhões de calçados no Brasil
PRÁTICA ILEGAL - Contêiner chinês no porto Cacaupe-mi, no Paraguai: país sul-americano é usado pela China para despejar ilegalmente 5 milhões de calçados no Brasil

A China foi o centro das discussões do Congresso Mundial de Calçados 2011, que terminou ontem no Rio de Janeiro. Empresários do Brasil, México, Colômbia, Itália e Espanha reclamaram muito de práticas de concorrência ilegal por parte dos chineses e defenderam a adoção de medidas legais contra a invasão dos sapatos asiáticos nos mercados mundiais. Mesmo sobretaxados pelo governo brasileiro em US$ 13,85 o par, os chineses continuam entrando no País por meio de práticas ilegais como a triangulação usando o Paraguai, denunciada no último domingo com exclusividade pelo Comércio da Franca. A matéria será utilizada para pressionar o governo federal (leia mais em texto nesta página). O congresso reuniu 479 empresários de 29 países produtores e consumidores de calçados.

Para o presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão, os produtos chineses são uma das maiores ameaças ao futuro do setor calçadista francano e brasileiro. “Não temos a menor condição de competir com os chineses. Os preços praticados por eles não cobrem nossos custos de produção. Se nada for feito e agora, não vejo um futuro para o calçado brasileiro.”

Segundo dados divulgados pela Câmara de Importadores e Exportadores de Calçados da China, o país produz por ano 10,2 bilhões de pares de sapatos. Sua cadeia produtora está apoiada em mais de 20 mil empresas que empregam 6 milhões de pessoas principalmente nas regiões Leste e Centro do país. O salário de um bom técnico varia entre US$ 100 e US$ 300. Ainda há incentivos e subsídios por parte do governo, que não cobra imposto de renda e oferece financiamentos a custo quase zero. O par de calçados fabricados na China custa em média US$ 3,6.

Em Franca, são 467 empresas que fabricam cerca de 33 milhões de pares de calçados por ano. Brigagão não tem números sobre o prejuízo causado pela invasão chinesa, mas garantiu que a estagnação do setor tem relação direta com a chegada dos chineses.

Armando Martins Duenas, presidente da Câmara de Indústrias de Calçados da Guatemala, no México, disse que seu país mantém um acordo bilateral com os chineses para a importação de calçados que vence no próximo mês e que não deve ser prorrogado. “Temos estudos que mostram a ação de dumping por parte da China em nosso país. Não sou a favor do protecionismo, mas os preços praticados pelos chineses não são reais. Eles só são tão baixos porque não respeitam normas trabalhistas, têm subsídios governamentais e subfaturados.”

Representante do governo chinês no congresso, Wang Hao, disse que a China já tem 14 tarifas contra seus sapatos em vigor no mundo, mas que deve continuar investindo no crescimento de suas exportações. “Nosso desafio é resolver esses conflitos que nasceram da rápida expansão dos nossos produtos no mercado internacional.”

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