O bispo da Diocese de Franca, Dom Pedro Luiz Stringhini, evitou comentar a condenação imposta pela Justiça ao padre Dé. Ele afirmou que não havia sido comunicado oficialmente e que só ficou sabendo da sentença por meio da informação publicada pelo Comércio da Franca. O juiz aposentado, Euclídes Celso Berardo, presidente do Conselho Diocesano de Leigos, órgão ligado à Igreja Católica, foi o encarregado de falar em nome da Diocese de Franca.
Berardo também disse que não sabia da condenação. Ele afirmou que a igreja recebeu a notícia com tranquilidade e que acata a decisão da Justiça. “Assim que Dom Pedro Luiz chegou a Franca, no começo do ano passado, foi que o caso veio à tona. Ele, imediatamente, após ouvir as partes envolvidas, tomou as providências de determinar a suspensão do padre de suas funções. O Dé não tem mais ligação com paróquias. Todas as medidas processuais foram encaminhadas ao Tribunal Eclesiástico.”
Apenas o Tribunal tem competência para afastar o padre da condição de sacerdote. A investigação interna aberta para apurar a conduta do padre ainda não foi concluída. A condenação aplicada pela 2ª Vara Criminal de Franca será informada às instâncias superiores da igreja e deverá acelerar o processo. A expectativa é por nova punição.
Embora não tenha comentado as acusações que pesam contra padre Dé, Berardo disse que a igreja tem posição clara em relação a comportamentos do tipo. “O Papa Bento XVI editou carta que foi dirigida ao clero da Irlanda, onde disse sucintamente que haveria necessidade de clarificar a verdade, fazer justiça às vítimas, reforçar a prevenção e colaborar de maneira construtiva com as autoridades. Aqui em Franca, a igreja não criou nenhum embaraço, o Dom Pedro se colocou à disposição e foi ouvido pela polícia.”
Em junho, o Núncio Apostólico Dom Lorenzo Baldisseri, representante do Papa no Brasil, veio a Franca para participar da missa solene em comemoração aos 40 anos da diocese local. Durante entrevista ao Comércio, ele foi questionado sobre casos de pedofilia envolvendo padres. Afirmou que ocorrências de abuso sexual são terríveis em todos os sentidos e que a igreja não está imune de algo que acontece por todo o mundo. “A igreja vive neste planeta. Os padres são criados na sociedade. Eles são formados para serem bons padres, mas, infelizmente, uma pequena parte acaba falhando. A igreja está pronta para intervir e está intervindo. Fazemos nossa parte e estamos trabalhando. As outras instituições estão fazendo?”
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