Cinco meses. Esse foi o tempo que o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) levou para tomar conhecimento das denúncias contra o médico José Rubens Perani Soares, acusado pelo Ministério Público do Estado de abusar sexualmente de uma adolescente de 15 anos e de uma criança.
José Rubens é médico conhecido na cidade. Atuava em Franca há pelo menos 21 anos. Como anestesista, participou de incontáveis cirurgias em que atuava em parceria com profissionais dos Hospitais Unimed/São Joaquim e Santa Casa. Mantinha ainda um consultório com outros sete colegas no Bairro São José.
No meio médico francano, difícil encontrar um profissional que não conheça ou tenha visto José Rubens nos corredores ou centros cirúrgicos. Apesar disso, ninguém parece ter estranhado o fato de, desde o último dia 3 de junho, o médico ter desaparecido.
Foi nesta data que uma técnica de enfermagem da Santa Casa de Franca decidiu comunicar ao presidente do hospital uma cena que teria presenciado no centro cirúrgico. Ela contou ter visto José Rubens perguntar a uma adolescente de 15 anos que seria operada se ela mantinha relações sexuais e se usava anticoncepcionais. Segundo a enfermeira, o médico teria ainda introduzido o dedo na vagina da menor e depois cheirado. No dia seguinte, José Rubens foi afastado e não mais apareceu na Santa Casa. Uma criança de 5 anos também teria sido abusada pelo médico no Hospital São Joaquim, o que fez com que ele também deixasse aquele hospital.
O caso, como em qualquer outro ambiente profissional, chegou ao conhecimento de alguns. Foi comentado nos bastidores e em rodas de colegas, mas nenhum atendente, nenhum técnico de enfermagem, nenhum enfermeiro, nenhum médico, nem mesmo a administração dos hospitais levou as graves denúncias ao conhecimento do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo).
O conselheiro do órgão em Franca, Lavínio Camarim, que também trabalha no Hospital São Joaquim, disse que não sabia do desligamento de José Rubens dos dois hospitais e que só tomou conhecimento das acusações contra o médico no último domingo, dia 30 de outubro, quando o Comércio da Franca publicou o caso com exclusividade. Não fosse a reportagem, até hoje o caso continuaria em sigilo e sem qualquer ação do Cremesp.
Ao tomar conhecimento das denúncias pela direção da Santa Casa, o Ministério Público do Estado considerou o caso tão sério que resolveu abrir uma investigação em seu grupo especial, o Gaeco. Concluída no último dia 24, a investigação se transformou em pedido de abertura de processo criminal pela Justiça de Franca. Os fatos apurados deram aos promotores motivos suficientes para que eles solicitassem à Justiça a suspensão do direito de exercer a medicina e a prisão preventiva do médico.
SEGREDO
Não é possível saber qual foi a decisão da Justiça. Antes mesmo da abertura do processo, o caso já vinha sendo mantido em sigilo absoluto. Extraoficialmente, fontes que atuam no Fórum da cidade dizem que o pedido dos promotores foi analisado pela 1ª Vara Criminal e que o juiz teria aberto o processo contra José Rubens, mas negado os pedidos de prisão e de suspensão dos trabalhos como médico.
A investigação do Cremesp, que também correrá em absoluto sigilo, deve começar nesta segunda-feira.
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