‘Não sei se sobrevivo ao tsunami chinês’


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Empregado da CEI Calçados cola sandálias;  processo é um dos vários feitos artesanalmente
Empregado da CEI Calçados cola sandálias; processo é um dos vários feitos artesanalmente

Há 19 anos, Celiano Avalos deixou a vida de sapateiro na Argentina para abrir seu próprio negócio no Paraguai. Começou com uma pequena fábrica e uma única loja de venda direta ao consumidor. Hoje é considerado o maior calçadista do país. A evolução é resultado de muito trabalho. Ele conta que, durante anos, chegou a dedicar à empresa 14, 15 horas por dia. Hoje trabalha um pouco menos. “Normalmente entro às 5h30 e às 16 horas estou indo para casa ou visitar as lojas. Faço questão de ver de perto como vão os negócios.”

Ele é um dos mais preocupados com a invasão de calçados chineses no Paraguai. “Sempre tivemos uma grande importação de calçados, principalmente do Brasil e da Argentina, mas isso não me afetava porque são calçados mais caros e melhor acabados, voltados para um público bem específico. Com os chineses, é diferente. Eles estão acabando com o meu mercado.”

Segundo Avalos, nos últimos anos, ele precisou colocar um freio na produção. “Fora os trabalhadores aqui da fábrica, ainda mantinha outras 20 bancas de pesponto terceirizadas. Hoje não tenho mais isso. Tive que dispensar todas.”

Para ele, a maior dificuldade é a falta de ação do governo paraguaio diante da ameaça chinesa. “Aqui eles não fazem nada. Não se importam em proteger a indústria nacional, como fez o Brasil. Estou sozinho na luta contra um verdadeiro tsunami chinês. No ano passado, foram 20 milhões de pares descarregados aqui. Não sei se sobrevivo.”

O empresário disse que, a cada dia, fica mais difícil concorrer com o calçados chinês. “Eles entram aqui custando US$ 1,5. O calçados que produzo não sai por menos de US$ 40. Tudo bem que a minha qualidade é muito melhor, mas o trabalhador ainda não entendeu isso. Ele compra o mais barato.”
 

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