Corpo é encontrado carbonizado dentro de caçamba no Petrópolis


| Tempo de leitura: 2 min
Celiano Ávalos, dono da maior fábrica de calçados do Paraguai, que produz cerca de 450 pares por dia
Celiano Ávalos, dono da maior fábrica de calçados do Paraguai, que produz cerca de 450 pares por dia

Bem diferente da indústria brasileira, o parque fabril do Paraguai parece estar vivendo na Franca dos anos 50. Na grande maioria das empresas, não há maquinário. Todo o trabalho é feito a mão. Também não há organização. Caixas, cola, formas e couros se espalham por todos os cantos. Os poucos trabalhadores não usam uniformes ou qualquer equipamento de segurança. Almoçam em meio à produção. A matéria-prima utilizada é importada do Brasil e da Argentina. Os calçados produzidos são vendidos para lojas dentro do próprio Paraguai por preços que variam de R$ 80 a R$ 100.

A D’Luca Calçados existe há vinte anos. Fundada pelo ex-sapateiro Lucas Gomes, a fábrica funciona num galpão improvisado na garagem de uma casa nos arredores de Assunção. A empresa emprega 11 pessoas e produz de 70 a 80 pares por dia. Lá, todo o trabalho para a confecção de sapatos femininos é artesanal. Os calçados custam em média R$ 90.

Além de Lucas, sua mulher também trabalha na empresa. “Amo mexer com sapato. Comecei a trabalhar como sapateiro aos 11 anos e não parei mais. Em 1990, resolvi montar a minha própria fábrica. Não estou rico nem espero ficar milionário, mas consegui sustentar e formar meus quatro filhos vendendo calçados”, diz Lucas que trabalha, em média, dez horas por dia.

O sonho dele é ampliar a produção e conseguir comprar máquinas que agilizem o processo de confecção. “Mas ainda não consegui realizá-lo. Tudo custa muito caro e tem que ser trazido ou do Brasil ou da Argentina. Para mim, ainda não dá.”

Na Garielli Calçados, o cenário se repete. A fábrica funciona na cidade de São Lourenço, ao lado de Assunção. São sete funcionários que trabalham em média oito horas por dia produzindo calçados, a maioria sandálias femininas.

A fábrica está instalada em um pequeno prédio anexo à casa de Carlos Fleitas, dono da empresa e presidente da Câmara de Calçadistas do Paraguai. O imóvel tem três salas. Na primeira, fica o escritório administrativo. São apenas duas mesas e um computador. Em seguida, há o espaço destinado ao depósito. Lá, matéria-prima e caixas se misturam e, mais adiante, fica a área de produção. “Aqui usamos quase tudo do Brasil. Eu já estive em Franca. Conheço muito gente por lá. Uso material comprado na Amazonas e couro dos curtumes francanos.”

Carlos Fleitas disse que a grande maioria das fábricas calçadistas genuinamente paraguaias são como a sua. “Aqui não há grandes empresas como no Brasil. Ainda estamos engatinhando.”

O EXEMPLO
A maior indústria calçadista do Paraguai é a CEI Calçados, comandada por Celiano Avalos. São duas filiais, uma em São Lourenço (na Grande Assunção) e outra na Argentina. Na unidade paraguaia, são 40 funcionários que produzem 450 pares de calçados femininos e masculinos por dia. Os preços variam de R$ 80 a R$ 100.

Avalos ainda mantém dez lojas. “Só consigo sobreviver porque faço a distribuição direta para o consumidor final. Não tenho intermediários.”
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários