Presidente da Indústria: ‘Não temos condição nenhuma de exportar’


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O dirigente Carlos Fleitas em sua indústria em Assunção
O dirigente Carlos Fleitas em sua indústria em Assunção

O Paraguai possui atualmente 500 micro e pequenas empresas dedicadas exclusivamente à produção de calçados. A grande maioria funciona no entorno da capital Assunção. Nenhuma exporta para o Brasil. A afirmação é do presidente da Câmara da Indústria Calçadista do Paraguai, Carlos Fleitas.

Segundo ele, não há como as empresas paraguaias exportarem sua produção. “Não temos condição nenhuma de produzir para vender em outros países. Nossa indústria está extremamente atrasada em relação ao que vemos em outros pólos produtores. Não temos máquinas nem matéria-prima. Para tudo, dependemos do Brasil e da Argentina.” A fábrica de Fleitas produz 70 pares por dia.
 
Do Brasil, as fábricas paraguaias importam a maior parte dos componentes necessários para a confecção dos sapatos. “Compramos máquinas, colas, solados e fivelas de empresas em Franca, Birigui e Novo Hamburgo.” Já da Argentina são importados o couro.
Com quase tudo vindo de outros países, manter um preço competitivo e a qualidade exigida para exportação fica quase impossível. “Como podemos concorrer e exportar para o Brasil trazendo tudo de lá? Não dá. Por isso sou categórico: não tem como termos exportado milhões de pares para o Brasil!”
 
Outro dado da Câmara da Indústria Calçadista reforça a afirmação do presidente. No ano passado, a produção de calçados no Paraguai foi de 5 milhões de pares. “Somos 500 microempresas. Muitas com uma capacidade inferior a 50 pares por dia. Não conseguimos ainda produzir em grande escala. Se os números fossem reais, quase toda a nossa produção teria sido enviada ao Brasil. Isso não ocorreu porque ainda temos mais ou menos 30% do mercado local.”
 
Para Carlos Fleitas, a explicação para os números apresentados pela Abicalçados é uma só: a triangulação do produto chinês. “No ano passado, desembarcaram aqui 20 milhões de pares vindos da China. Somos 6,2 milhões de pessoas. Temos um levantamento que mostrou que a média de compra do paraguaio no ano foi de 1,7 par de sapato. Esses calçados não ficaram aqui. Então me pergunto: onde foram parar? Provavelmente foram reexportados para o Brasil e para a Argentina.”
 
O presidente já pediu providências ao governo paraguaio para impedir aquilo que ele classifica como invasão chinesa. “Aqui não há fiscalização de nada. Não há defesa da indústria nacional. Ninguém está preocupado em preservar os empregos que geramos. Já solicitei ao Ministério da Indústria que tome alguma medida para impedir a entrada de tantos calçados chineses e para investigar e fiscalizar melhor a exportação para o Brasil e para a Argentina. Ainda espero uma resposta.”
 
Carlos também alerta para os danos que a invasão de produtos chineses causou à indústria paraguaia. “Não temos levantamentos específicos mas a estimativa que fazemos é de que, nos últimos anos, a chegada dos produtos chineses foi responsável pelo fechamento de pelo menos 5 mil vagas de trabalho na indústria calçadistas. Para nós, esse número é gigantesco.”
Segundo o presidente, a mão de obra dispensada migrou para a Argentina. “Pode ir lá conferir. Dificilmente, você vai encontrar alguma fábrica argentina que não tenha pelo menos um sapateiro paraguaio.”
 

 

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