Quando começa a vida?


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A pergunta que se faz título destas linhas é formulada por Marcelo Gleiser, no seu artigo de 18 de novembro na Folha de São Paulo.

Segundo ele, a questão surgiu em virtude do próximo nascimento de seu filho e, ao buscar a resposta, alinha as diversas fases por que passa a formação do corpo humano, da concepção ao nascimento.

Ao concluir suas observações, contudo, parece esvaziada sua cogitação sobre a origem da vida, desviando-se para considerar a integração entre os dois hemisférios cerebrais como condição importante para a formação do consciente.

Mas, fazendo do seu propósito inicial o mote da nossa aventura filosófica, cumpre-nos afirmar que do ponto de vista espírita, a vida não tem começo e, simplesmente, não tem fim, isto é, ela é permanente, eterna, apenas sofre variações segundo os diversos estágios de sua manifestação. Assim como a água, que se apresenta no estado líquido, sólido e gasoso sem deixar de ser água, a vida se manifesta nas diversas dimensões existenciais sem deixar de ser vida.

Sofre as injunções próprias de cada dimensão vibratória em que se manifesta, tornando-se cada vez mais sublimada à medida em que avança por força da realização espiritual.

Há uma ‘equação’ moral segundo a qual quem pode o mais, pode o menos, mas, quem pode o menos... Porquanto, como ainda nos situamos na dimensão da matéria, somos impedidos de ver a vida espiritual. Os olhos mortais, excluídos os casos de materialização, não estão capacitados a enxergar a vida dos espíritos que, livres do corpo físico, ostentam frequência vibratória muito mais alta que a dos encarnados.

Portanto, a vida ‘é’. Não se inicia em momento algum. Há sempre vida a permear a Criação Divina, pronta a animar o ser criado. Segundo a Doutrina Espírita, muito antes de ocorrer a fecundação do óvulo pelo espermatozoide, já existe um espírito aguardando a oportunidade para a reencarnação.

O corpo será o instrumento de manifestação da inteligência espiritual na face do planeta. Segundo o que diz Marcelo Gleiser, festejado físico, com credenciais também nos EUA onde trabalha, há os que admitem o começo da vida na ‘intenção’ mesma do espermatozoide em procurar o óvulo ao qual se ligará.

Já os mentores espirituais do médium Chico Xavier dizem que, nesse momento, entidades encarregadas da reencarnação do espírito já terão escolhido o espermatozoide portador do equipamento genético necessário à formação do novo organismo físico.

Assim, podemos concluir que toda vida na face planetária, antes mesmo de manifestar-se, já é vida em espírito. E que tudo é detalhadamente planejado para que a existência se realize com pleno êxito, na sua finalidade redentora.

Daí, ser-nos oportuno afirmar que jamais podermos interromper o processo reencarnatório, por qualquer que seja o pretexto, excluídos apenas os casos em que a mãe, em razão da gravidez, corra risco de morte. Por conseguinte, detectadas deficiências físicas não justificam aborto, sob nenhuma hipótese, posto que os defeitos têm raízes no espírito e não no corpo em que aparecem como consequência.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais e diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca - IDEFRAN

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