Perdi uma amiga...


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Maristela. Ela partiu sem se despedir de ninguém. Partiu justamente do lugar onde mais gostava de estar: o seu Espaço Lotus de Hatha Yoga. Foi lá que ela trabalhou muitos anos de sua vida no propósito mesmo de vivenciar e ensinar aos seus alunos o caminho do Yoga.

Creio que ela foi a primeira a trazer o Yoga para Franca. Há mais de 30 anos, quando quase ninguém conhecia essa prática, ela se aventurou e dedicou-se a esse caminho.

Conheço muitos de seus alunos e eu mesma já estava com ela há quase 10 anos. Ela era uma daquelas poucas pessoas que podemos dizer que são suaves e fortes. O Yoga talvez tenha lhe aprimorado esses dois aspectos, mas sua personalidade ímpar conquistava a todos que dela se aproximavam. Seus alunos eram também seus admiradores e nunca perdiam a oportunidade de ouvir seus ensinamentos ou simplesmente desfrutar de sua presença.

Foi com ela que eu descobri o Yoga e desde então nunca mais deixei essa prática. Ela também me incentivou quando demonstrei interesse em fazer, em São Paulo, um Curso de Formação em Yoga e Meditação. Isso foi fundamental, pois, ultimamente, já estávamos trabalhando juntas, o que, para mim foi sempre muita aprendizagem. Aqui no nosso mundo ocidental, a maioria das pessoas pensa que Yoga é apenas um tipo de ginástica corporal. E ele também o é. Mas isso é só a superfície, pois o Yoga é, antes de tudo, um caminho de autoconhecimento e de espiritualidade.

Essa prática milenar surgiu na Índia há 200 ou 300 anos antes de Cristo. Aqui no Brasil ela só vai acontecer nas décadas de 1950 e 1960. A palavra Yoga, em sânscrito, quer dizer união e, no caso, ela se refere a união do corpo da mente e do espírito. O praticante busca, através dos asanas, que são as posturas, integrar sua mente ao corpo através do silêncio, da permanência, da força e do propósito. Isso condiciona o corpo, traz alongamento aos músculos, fortalece e alinha as articulações, mas acima de tudo, acalma a mente, traz consciência à respiração e abre caminho para a espiritualidade, para o encontro com nossa verdadeira identidade.

E foi tudo isso que Maristela trouxe para Franca. No início, creio que foi a primeira e a única professora da cidade. Hoje já temos, felizmente, muitas escolas, muitos praticantes e muitos instrutores.

Minha amiga partiu, mas deixou um caminho construído no amor, no serviço ao outro, na abertura de consciência. No silêncio de sua prática diária trazia uma nova dimensão para o trabalho do corpo e da mente. Creio que pessoas assim nunca morrem. Elas permanecem vivas no coração e na alma de todos que as conheceram.

Franca ficou mais pobre, mas o Yoga sorri porque Maristela trabalhou para que seu espírito se fizesse presente na nossa cidade. Obrigada, amiga, pelo caminho aberto, que se faz na prática de cada caminhante. Namastê!

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